segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Você sabe o que é um PODCAST?

      Podcast são programas de áudio, como programas de rádios, e você pode ouvir em qualquer lugar a partir de uma boa conexão! Baixe os programas ou ouça via streaming*. Os podcast brasileiros apresentam os mais diversos temas e as mais variadas formas de apresentação indo de conversas sobre politica ou universo pop à leituras dramáticas e narrativas de histórias.




       Este ano começamos nosso podcast via soundcloud!

       Cada programa apresenta um tema central para criar uma conversa informal seguida de três blocos, onde os participantes elencam músicas de acordo com o assunto de cada bloco. A temática central e os assuntos dos blocos funcionam de modo independente... ou não!

       Ficou curioso? então aperte o play!
   



      Algumas páginas de podcasts de destaque nacional:

http://www.portalcafebrasil.com.br/

http://www.b9.com.br/podcasts/

https://mundopodcast.com.br/

https://jovemnerd.com.br/nerdcast/

*modo de transmissão de dados em tempo real


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Corpos da floresta


Muitos consideram que a sexualidade é algo que todos nós, mulheres e homens, possuímos"naturalmente". Aceitando essa ideia, fica sem sentido argumentar a respeito de sua dimensão social e política ou a respeito de seu caráter construído. A sexualidade seria algo "dado" pela natureza, inerente ao ser humano. Tal concepção usualmente se ancora no corpo e suas suposições de que todos vivemos nossos corpos, universalmente, da mesma forma. No entanto, podemos entender que a sexualidade envolve rituais, linguagens, fantasias, representações, símbolos, convenções.. Processos profundamente culturais e plurais. Nessa perspectiva, nada há de exclusivamente "natural" nesse terreno, a começar pela própria concepção de corpo, ou mesmo de natureza. Através de processos culturais, definimos o que é - ou não - natural; produzimos e transformamos a natureza e a biologia e, consequentemente, as tornamos históricas. Os corpos ganham sentido socialmente. A inscrição dos gêneros - feminino e masculino - nos corpos é feita, sempre, no contexto de uma determinada cultura e, portanto, com as marcas dessa cultura. As possibilidades da sexualidade - das formas de expressar os desejos e prazeres - também são socialmente estabelecidas e codificadas. As identidades de gênero e sexuais são, portanto, composta e definidas por relações sociais, elas são moldadas pelas redes de poder de uma sociedade. 

 (Pedagogias da Sexualidade - Guacira Lopes Louro - pg 11)












Produção 
NAJON

modelos 
GUILHERME MORAES
PATRÍCIA SOUZA
JONI LIMA

fotografia 
MARINA PACHECO

 direção de arte 
THIAGO MORAES


sábado, 19 de março de 2016

Entrevista produtora do longa "Hoje eu quero voltar sozinho", Diana Almeida

Na última e terceira oficina do Fundo de Audiovisual para a Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas (PRODAVI) a produtora Diana Almeida ministrou sobre projetos em ficção.
Produtora do curta "Eu não quero voltar sozinho" que abriu portas para a produção do longa "Hoje eu quero voltar sozinho", contou um pouco sobre como entrou para área do cinema, como foi a circulação do longa em festivais e o que são as várias camadas de produção de um filme. Confira a entrevista:



quarta-feira, 16 de março de 2016

A era das mídias.



Era é uma palavra muito grande, abarcando muito coisa para menos de 100 anos. A comunicação é uma forma de poder muito grande, desde do boi na caverna invocando a caça ao vermelho e amarelo para estimular a fome, as diversas formas de comunicação definem quem é, o que pode e aonde pode ir. Luis XIV desejava que todos soubessem a hora em que acordava, saia do seu quarto, além de criar o salto alto a bicha desejava informar a quem seus súditos deveria prestar atenção. Não foi a toa que a revolução francesa usou das prensas para gerar a revolta e inflamar o povo! A igreja sabe muito bem como usar a comunicação, durante algumas centenas de anos controlou o que e de que forma poderia ser "pintado", e sabe muito bem o poder emanado pelo canto e pela música.
A detenção sobre as informações ainda garantem a formação de um cartel poderoso que dita e controla as formas de comunicação, Orwell acertou em cheio, 84 já estava com as tela e olhos do grande irmão, o salvador, mercado sobre nós. Sr Débord já alertou o mundo sobre a narrativa visual de uma ideologia dominante nos acostumando e acariciando de forma sútil para os prazeres da industria cultural.
Hoje um capitulo a mais podemos colocar na era do poder da informação: como uma "empresa" cresce a partir de um estado de exceção e domina uma nação inteira sendo o próprio deus. Ela cria, condena, julga, manda e desmanda de acordo com os intocáveis da comunicação, sejam "civitas", "marinhos", "recordeiros", durante mais de 40 anos as únicas formas de imprensa ou canais de comunicação é dominado pelas mesmas pessoas, sem sofrer nenhum incomodo, ganhando faturamentos milionários. Suas mídias estão em concessões públicas, nos canais a cabo, nas mídias impressas e virtuais, são programas educativos, informativos, entretenimentos, formadores de opinião, suas empresas investem na formação, através de programas de treines (¬¬), enfim é uma rama de entrelaces garantindo os contatos nas esferas de poder, legislativo, judiciário e executivo, e faz disso a chantagem para exercer o quarto.
É engraçado ver Futura falando em suas propagandas pra não jogar lixo na rua de uma forma poética, chega escorrer uma lágrima, e ao mesmo tempo negar qualquer relação que seus donos tiveram com diversas mortes nos porões pelo Brazil a fora.
Ver uma sherazade da vida incitando ódio e violência 50 anos depois dos direitos humanos, no mesmo canal que um cara construiu um império humilhando pobre na Tv. 
O reflexo de anos utilizando Paulo Freire pra inglês ver, ou pra fazer brilho no estatuto da escola-prisão, se deu hoje. Um bando de pessoas vociferando o fascismo latente: bandido bom é bandido morto dizem eles, não conhecem uma linha da história recente do país, não estão presente na vida política de suas escolas, seus bairros, assembleias, e por trás do discursos de paz, meritocrático, branco defendem a hegemonia assim como Hitler, assim como qualquer dono de navio negreiro, assim como o empresário que acha que menosprezar o artista local pagando mais barato do que o artista de fora.. não consegue ver a semelhança? É simples, todo esse discurso branco, meritocrático e colonizador é embutido em tudo que nos rodeia e quem resolve quebrar isso é colocado em cheque pelo deus mercado. E assim o status quo se mantém: agora vamo coloca a gay normativa, agora vamo coloca o negro de "traços bonitos" (leia-se BRANCO-greco-romano), agora o (coloque qualquer coisa renda lucro, seja idoso, jovem, criança, qualquer classe desde que uma renda de consumo boa - vc acha que seu sabonete e do joão são feitos por diferentes donos? ou só compra da industria local?) é bem fácil transformar as estruturas mantenedoras do status quo abrangendo discursos liberais: 1888 o mercado não aceitava mais trabalho escravo, o que o brazil fez? liberta e traz os fugitivos! pagamo os brancos e açoitamos esses vagabundos que tão liberto e não querem trabalhar!
E assim mais um página da história brasileira é xerocopiada infinitamente, os donos dos navios negreiros continuam matando, mas não é mais eXcravo!.

...

fotos e video por Pamella Paine

quarta-feira, 9 de março de 2016

Entrevista com o diretor do longa de animação Minhocas, Paolo Conti.

Campo Grande recebeu a Oficina do Fundo de Audiovisual para a Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas (PRODAVI) e um dos ministrantes foi o diretor do longa de animação Minhocas, Paolo Conti.
CEO da Anima King responsavel pelo desenvolvimento dos projetos a Oficina foi destinado a produção de projetos em animação e durou 3 dias. Seu longa Minhocas feito todo em animação stop-motion (utilizando técnicas de bonecos e fotografia quadro-a-quadro) entrou em circulação mundial no ano de 2015.
Ele respondeu algumas perguntas sobre produção e o trabalho dentro da Animaking que você confere abaixo:











quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Mistérios Modernistas


    Escrever sobre arte ou sobre artistas e suas obras é sempre um desafio. Por vezes é feito sobre grandes dilemas, entre gosto pessoal, material, suporte, linguagem, valor etc. numa série de pressupostos definindo por um conjunto de regras estéticas o que naquele momento se entende como arte.  Em filmes que abordam o tema e lançam olhares sobre esses dilemas, podemos observar maneiras que a linguagem cinematográfica aborda e fazem um diálogo entre arte, artista e suas obras. Em Mistério de Picasso de 1955 e Pollock de 2001, 
dirigido respectivamente por Henri Georges Clozout e Ed Harris, o tema aparece nos artistas e suas pinturas através imagem cinematográfica, e desdobra-se num dialogo entre os artistas retratados, obras e o olhar de cada diretor num documentário-ficcional ou uma ficção-documentada e já em A Dama Dourada de 2015, Simon Curtis utiliza o cinema para contar a historia de como uma das mais conhecidas obras de Gustav Klimt atravessou o atlântico. 

    Picasso o pintor modernista, através da direção de Henri Clozout, coloca a tela em branco em que pinta, como a tela do cinema, e suas pinceladas  vão tomando conta do quadro até a finalização da pintura. Várias pinturas são feitas na tela, Picasso parece fazer um speed painting prevendo já os atuais tutoriais de pintura ou desenho em velocidade acelerada, enquanto uma música clássica acompanha, ganhando dramaticidade, as pinceladas do artista sobre o quadro branco. Entretanto nem Clozout e nem Picasso pretendem fazer do filme um tutorial de pintura,  e sim investigar o processo do artista! Essa associação é apresentada já no começo do filme com Clozout falando sobre a apreciação de uma obra de arte, seja, por exemplo, a música de Mozart ou a pintura de Rembrant, e o desconhecimento, de um possível fruidor da obra, do processo que passa o artista durante a pesquisa e produção de sua obra enquanto abre-se uma luz sobre a figura do pintor evocando, na silhueta formada,  "O pensador" de Rodin. Acompanhamos Picasso em direção à mesa de desenho, enquanto acende um cigarro, e a câmera nos apresenta seu atelie em preto e branco, modificado,  banhado pela luz escolhida pelo diretor e seu fotografo- no caso um Renoir* - construindo um ambiente de mistério em torno da aura do artista gênio. Clozout, ao adentrar o processo de Picasso evocando obras consideradas clássicas constrói a imagem de obra-prima sobre Picasso, deixando que as pinceladas corram sobre a tela num momento de apreciação e troca. O trabalho em conjunto leva a  uma discussão sobre a narrativa feita por Picasso nos últimos quadros pintados, que diz "você pediu emoção, eu dei emoção", assina seu nome em um quadro e posiciona-se  embaixo do feixe de luz que invade  milimetricamente posicionado para colocar o artista de volta em sua aura misteriosa.

     Ed Harris por sua vez apresenta o processo de Jackson Pollock através de uma narrativa clássica, com composições coloridas, aúdio acompanhando as reviravoltas gráficas e pontos chaves,  mostrando o auge da carreira do "maior pintor modernista da América" e sua conturbada vida familiar e profissional.   A história do filme se passa no entre guerras e Ed Harris dirige e atua como Pollock experimentando dessa forma três processos, além da direção e atuação, entender e tentar mostrar indagações do artista retratado recriando a experiencia vivenciada por Pollock. O pintor que foi aclamado pela crítica com seu action-painting, tinha como referência a pintura modernista especialmente abstrata e  o surrealismo, tendo contato com Max Ernst e um relacionamento conturbado, devido, principalmente, ao seu alcoolismo, com Lee Krasner, torna-se um marco para o expressionismo abstrato. Picasso já era considerado um gênio da pintura, enquanto Pollock via nele uma inspiração e uma certo sentimento de competição demonstrada em algumas falas, quando Pollock está bêbado com um amigo e ele mesmo se compara à Picasso colocando-se como o próximo "maior pintor modernista" e outra quando Pollock já é reconhecido pela critica e lê no jornal a comparação que fazem com Picasso. Harris usa a composição dos planos, seguindo as entrevistas de Pollock, e coloca a personagem pintando em enquadramentos aéreos e sob seus pés que ao fazer as telas e pretende estar dentro dos quadros, assim como Clouzot e Picasso, e diz sentir-se como parte daquilo quando os faz, assim como o próprio Harris .

     Já o filme dirigido por Simon Curtis e produzido pela BBC films (o que me fez lembrar de documentários da BBC em alguns enquadramentos de flashback ) apresenta a história de uma sobrevivente do holocausto judeu e sua busca pela recuperação da memória de sua família, através de pinturas entre elas a obra que Gustav Klimt pintou de sua tia Adele: A Dama Dourada como é conhecida  em todo o mundo e faz parte da época dourada de Gustav Klimt. A perda de identidade da obra, enquanto lembrança familiar e tornando-se a identidade de toda uma nação é permeada por lembranças da fuga de Maria Altmam da Austria e  sua chegada aos EUA. Simon tem um elenco selecionado a dedo, fazendo uma comparação com Klimt , atores do alto escalão de hollywood como Hellen Mirren, Ryan Reynolds, Max Irons, Katy Holmes dentre outros rostos conhecidos e falas de personagem femininas sobre o papel da mulher, ou mesmo o papel ativo de Altman enquanto fogem da Áustria, fazem o papel do ouro usado por Klimt e a presença da figura feminina em suas telas. No filme algumas obras de Klimt fazem parte do testamento deixado para Altmam e acabam por ser o estopim para as lembranças do nazi-fascismo e  suas consequências e então questionando o  método com o que a galeria conseguiu ser detentora das obras, advinda de maneiras suspeitas pelas mãos dos nazistas, Altmam e seu advogado  enfrentam o estado austríaco pelo direito do quadro. Klimt já estava nas graças de famílias ricas que o contratavam para fazer retratos em 1907, e pinta o Retrato de Adele Bloch Bauer I  que acaba virando um ícone para a identidade Austríaca na atualidade, sendo como uma "Monalisa". Simon parece escolher seguir a risca os valores tradicionais da personagem de Hellen dando o valor sentimental e histórico da obra com luz e cenários sóbrios, muito bem colocados tecnicamente, com uma relação em especial a cor dos momentos entre passado e presente de Altmam, ficando mais brilhante e viva no decorrer do presente e  adquirindo mais cinza nas  memórias do passado. Curtis apresenta o decorrer histórico de uma obra. 

      Nos dois primeiros filmes fica em evidencia a relação arte e artista enquanto no terceiro obra e artista interferem por ser a peça chave no conflito apresentado. Com um documentário Clouzot monta uma fotografia e manipula o olhar de forma a criar uma aura de fantasia em torno do gênio Picasso e sua obra. Ed Harris constrói planos baseados nas falas de Pollock sobre sua pintura de ação propondo uma percepção visual por meio de imagens intercaladas, enquadramentos subjetivos e videos gráficos musicais. Curtis propõe sua narrativa através da luz e cenários compondo um resgate histórico do ambiente  cultural onde foram feitas algumas das últimas obras de Klimt. Os três filmes conseguem, de certa forma, captar alguma faceta dos artistas modernistas com o qual dialogam, na procura sobre o processo da obra, na recomposição das obras, ou no valor adquirido pela obra no decorrer do tempo.


* neto do pintor Jean Auguste Renoir

Texto por Thiago Moraes.


livros indicados:
Após o fim da Arte - Arthur Danto
Técnicas e edição para cinema e video - Dancyger

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Prosa e Segredo

O último final de semana do mês de outubro as galerias do SESC horto foram invadidas por muita cor, letras e uma porção de histórias clássicas, velhas, novas, modernas, antigas e das mais diversas formas. O Sesc Literatura estimula o gosto pela leitura nos pequenos e enche de fantasia o mundo dos grandões. Com oficinas de caligrafia, encardenamento, cinema de animação, ilustração em HQ, palestras e muitos, mas muitos livros, a mostra trouxe muitas novidades. Houve lançamento do livro Prosa e Segredo, da atriz e escritora Michele Dominiq, nas galerias as ilustrações de Deni Feliz encantavam com sua simplicidade e cumplicidade com o evento e o teatro da Casa de Ensaio deu vida e música a diversos poemas. Pra quem perdeu, conferi um pouco da mostra e pegamos entrevistas com alguns oficineiros. Uma coisa boa que notei foi a grande diversidade de formas e meios para apresentar a literatura, nem só de livros cheios de letras e mais letras mas quadrinhos, teatro a várias atividades que preencheram o SESC.
 
  
 
"A ideia de quando que me convidaram era chamar atenção para a criação dos poemas; da literatura em si, da letra: desde a criação na mente e no coração de cada um, e depois oferecer a eles uma criação de uma letra bonita, mais artística, junto a um resgate do belo e do bem-feito com a mão, sem uso de computador ou de uma máquina. Houve também uma oficina de encardenação dessa produção. Tudo como uma Arte. Mas tudo depende do olhar de quem vê. Pra mim escrever é um desenhar. Se escrever um recado bem rápido no meio do dia é uma coisa: é passar informação. Agora sentar, empunhar a caneta, escrever com esmero, com capricho, isto é um desenho, praticamente, e torna-se uma arte. Sem desmerecer outras, mas somando a elas. Até um assinar de um quadro é um desenho, uma forma de arte."
Valdebrando dos Santos - ministrante oficina
 
"O cinema é uma linguagem que vem da literatura. Vários livros são adaptados para o cinema. São linguagens que interagem e se complementam. Fiquei muito feliz pelo convite do Sesc para essa oficina. Tivemos uma média de 15 inscritos de todas as idades. Achei isso muito bacana. E na verdade foi uma pequena introdução sobre a linguagem de animação e utilizando a técnica de stop-motion (parada-por-ação), os alunos puderam brincar e exercitar não só a tradicional matéria do stopmotion que as pessoas acham que é só a massa de modelar. E não é. Stopmotion é uma técnica que pode ser usado qualquer objeto inanimado e dar vida a ele. Aqui tivemos um trabalho sem massa e dois com massa. Procuramos juntar a ideia com a literatura sendo dois desses trabalhos baseados em obras literárias."
Elis Regina - ministrante oficina



Thiago Moraes
NAJON