No dia 02 de outubro a Morada dos Baís recebeu uma exposição comemorativa do grupo Sem Medo de Ser Feliz, reunindo pinturas de vários temas, cores, formas e tamanhos dos artistas Ian Santos, Cleusa Porto, Gaga Gabrielli, Mari Rebouças, Marília Terra, Olga Martinez, Rafael Mareco, Salete Bassegio, Giane Bifon e Lúcia Monte Serrat. Com 10 anos de existência o grupo comemorou mostrando a consolidação do trabalho, o compromisso dos artistas e a evolução de suas pinturas.
"O grupo surgiu em uma aula de artes na Arquitécnica*, na verdade queríamos aprender a pintar e começamos a perceber que as pessoas tinham muita dificuldade. O que a gente precisava era do processo criativo, então comecei a trabalhar isso dentro do grupo, que aumentou o número de participantes, solidificou-se e, embora seja mutante, tem algumas pessoas desde o começo. Param um pouco, retornam, estão sempre indo e vindo. É um grupo muito gostoso, discutimos arte, exercitamos, mas sem um compromisso técnico e sim um compromisso expressivo. Todo mundo dá palpite no trabalho do outro. Tivemos um trabalho onde o objetivo era o rodízio: tínhamos que pintar um sobre o trabalho do outro. Um trabalho super difícil por que entrar no outro é uma experiência muito excitante, interessante porém muito difícil.
Quando montamos exposições nos fortalecemos, isso solidifica as relações, crescemos enquanto pessoas, indivíduos e mais do que isso crescemos culturalmente e artisticamente. Sinto-me uma privilegiada de estar num grupo desses, criamos laços. É muito gostoso."
Lucia Monte Serrat artista e arte-educadora
A Morada dos Baís fica na Afonso Pena, esquina com Av. Noroeste; a exposição fica lá até o dia 03 de novembro, de terça a sábado das 8h às 18h e domingo das 9h às 12h. Realização Fundação de Culura Municipal de Campo Grande, Morada dos Baís, Arquitécnica e Prefeitura Municipal. Entrada gratuita.
Dia 5 de setembro abriu no foyer do Centro Cultural Octávio Guizzo a exposição Penso Traço, individual da artista Thais Gabialti. A artista recentemente participou da exposição Dialetos junto de artistas de MS e MT, e foi selecionada para o salão Anapolino de Artes. Fomos ver e admirar seus quadros cheios de cor, utilizando técnicas de desenho e pintura! Confira:
A galeria do Octávio Guizzo fica aberta a visitação de terça à sabado das 08:00 as 22:00 e Domingos e feriados das 14:00 as 18:00.
O apresentador Cleber Dias conduziu o 38° Sarau dos Amigos que apresentou a música do grupo Guavira Elétrica e dos cantores Rodrigo Nantes e Gabriel , Leandro Ávila, Brukka , Cleber Abrero e Zé Geral. O teatro também estiveram presentes nas intervenções de Yago Garcia e no “cotidiano” do Núcleo do Sarau. Confira um pouco do que rolou.
Localizado na rua Elvira Matos de Oliveira, 927, bairro Universitário o Sarau dos Amigos acontece toda última quinta feira do mês. E apenas com um quilo de alimento, que é doado aos Vicentinos da Paróquia santa Rita de Cassia, você pode divertir-se com arte e informação!
Conversamos com alguns artistas que passaram por lá!
Tom Barbosa
"Eu trabalho há algum tempo com a temática dos malabaristas de rua. Fui premiado no ano de 2010, com essa temática, no Salão de Arte de Campo Grande. Em 2009 fui premiado com pintura de papelão no Estado e no Brasil. Hoje estou com essa temática dos Saltimbancos Trapalhões. É uma lembrança de infância, eu sou fã deles! Então eu peguei, do filme dos Trapalhões “Os Saltimbancos”, todas essas fotos e reproduzo em pintura, coloco um pouco da minha imaginação
e adapto alguma coisa. Por que não é sempre que uma foto dá uma boa pintura. Então você precisa trabalhar um pouco em cima! Na verdade eu quero produzir 20 telas desse tema, por que terei uma mostra na Morada dos Baís, em Maio!"
Carlos Luz
"Esse projeto se chama memória fonográfica de Mato Grosso do Sul, nós catalogamos e digitalizamos todo o acervo de Mato Grosso do Sul. Das músicas gravadas em Mato Grosso do Sul desde 1950 até atual e isso envolve todos os músicos que por aqui passaram. A princípio era do Estado único, era Mato Grosso. Então o projeto iniciou com uma pesquisa geral nos dois “Mato Grosso” e começamos a afinar esse processo, encontrando uma riqueza muito grande da música vinculada à Mato Grosso do Sul! O projeto, hoje, está restrito aos músicos de Mato Grosso do Sul. A década é de 50 para cá, por quê a industria fonográfica de MS e do Brasil iniciou-se na década de 50. E quem gravou na década de 50: Délio e Delinha, Franquito, Bete e Betinha que o pai era maestro, eles já gravavam naquela época! Então são artistas sulmatogrossenses, alguns estão vivos, outros já se foram, mas o propósito do projeto é que todas as pessoas de Mato Grosso do Sul e do Brasil tenham acesso a essa cultura musical. A idéia é disponibilizar num site, em terminais de consultas, universidades onde a pessoa poderia ver e conhecer o artista, ouvir o artista. Não poderia baixar e nem copiar música, mas ele poderá ouvir o artista, conhecer as letras do artista e a parte literária vinculada à música."
O projeto é licenciado pela Lei Rouanet e precisa de patrocinio. Contato com o Carlos pelo email: carlosluz@bol.com.br! E pra saber um pouco mais sobre o projeto: overmundo
Mauro Yanaze
Meu trabalho é com cerâmica só que em alta temperatura! Queimo a base de 1.230 a 1.250 graus. A matéria prima é de São Paulo, não encontra aqui. Poderia usar a de Rio Verde ou de Coxim, mas são para baixa e eu trabalho com alta. A exposição que está no Marco é junto com um grupo de São Paulo de artistas plásticos que me convidaram para a exposição do Aluga-se. Que corre Brasil todo e fora também!
Elis Regina
"Esse projeto é uma pequena amostra, um esboço do que eu comecei a fazer. A minha idéia é voltar à aldeia e aprofundar um estudo. Da questão da imagem, sempre dialogando, com a questão da criança com a terra. A infância indígena. A gente tem um mundo totalmente industrializado com milhões de brinquedos, mas qualquer criança, se você der um pedaço de pau, uma garrafa, ele vai brincar. (Eu posso até estar falando besteira, preciso estudar um pouco isso), mas se não tem um aparato tecnológico, e mesmo que tenha, a criança é capaz de se divertir. Então eu acho que infância independe do contexto, da etnia, da raça. Crianças são crianças! Eu quero mostrar um pouco essa coisa lúdica, mas sempre trabalhando com essa coisa da luz, do contraste, da terra, essa relação. Por que é muito forte a relação que essas crianças, que o índio tem com a terra! E isso é de berço, as crianças passam a maior parte do tempo na terra, e isso é uma coisa muito bonita! E a terra vermelha, algumas pessoas me perguntaram por que não faz preto e branco? Por que se eu abstrair a cor eu vou abstrair essa riqueza que é a terra vermelha e que é essa relação que eu quero mostrar das crianças com a terra."
Ariadne Cantú
A escritora lançou o livro infantil O Planeta dos Carecas.
"O livro é uma história para trabalhar com a questão das diferenças, das crianças que tem câncer e perdem o cabelo, no curso do tratamento. E basicamente é a história de um planetinha imaginário onde tudo mundo é careca e quem é doente cresce cabelo por conta do remédio que toma. E o processo de criação do livro foi muito rápido. O surgimento da historinha em si, ele brotou depois que eu fiz uma visita para as crianças e achei que trabalhar da forma inversa, o conceito da diferença, iria tornar mais fácil todo esse processo.
E depois me aproximando mais eu soube que é um processo até comum, de gente que tem na família criança com câncer e raspa o cabelo. Soube da história de pai que raspa o cabelo para mostrar ao filho que está tudo normal, que o cabelo não é essencial, que o cabelo vai nascer de novo. E os desenhos foram feitos pela artista Andréia Duarte Oliveira que conseguiu transmitir dentro da história aquilo que eu concebi e ela disse que foi dificl colocar os personagens com expressão sem os cabelos. Dizem que os índios nos reconhecem pelos cabelos, para eles somos todos iguais a diferença fica por conta dos cabelos! E eu espero ter atingido o objetivo de, tratando de um tema tão difícil, trazer uma mensagem alto-astral, alegre. Que criança precisa de: começo, meio e fim e se não tiver final feliz não serve!"
Em janeiro estive no MARCO e pude ver a exposição QUEIME O CASTELO de Maíra Espindola. São quadros surrealistas e cheios de subversão sobre contos e histórias que há muito tempo fazem parte do nosso imaginário. A exposição vai até dia 27 de fevereiro no MARCO, com exibição gratuita.
Agora estive com ela, e numa entrevista informal, Maíra falou um pouco da exposição e seu processo criativo!
Segue a entrevista em mp3 e em texto para uma maior acessibilidade!
ps. perdão pela voz e inexperiência do entrevistador...
O texto passou por uma correção gramatical!
Quando tempo pra compor e finalizar? Fale um pouco do processo de produção.
Bem, eu comecei a produzir, mas não sabia exatamente o que ia ser. Não tinha nome, não tinha uma cara, a primeira tela foi a Mandratana e a segunda, o Barba Azul. Percebi que estava estudando contos de fadas, que elas eram parte desse estudo e aí “entrei numas”. Comecei a pesquisar mais, a brincar mais, principalmente com conto de fadas, que me são interessantes até hoje. Foram uns três meses, basicamente, para produzir quase tudo, e algumas peças foram aparecendo depois. Então, do início até o fim da produção, levei uns cinco meses, e – pasme! – a peça mais difícil foi a última, foi a que demorou mais tempo: “O Príncipe Encantado”. Tendo eu 31 anos, solteira, discutindo o amor, fica bem claro o porquê (risos).
Quais técnicas você utiliza e por que as escolheu?
Na verdade, coloquei em quase todas as peças colagem e pintura digital, que foi o que eu comecei a produzir, era a base de tudo. Comecei a capturar imagens do Google, de flickers pessoais e a pilhar, mesmo, como pirata: pegar, costurar, cortar, colar, pintar, redesenhar. Cada obra deve ter em média 20 fotos, que ficaram irreconhecíveis, duvido que alguém reconheça de onde vieram. Chamei a isso reciclagem visual, porque a gente sabe que o universo da internet não é um universo físico exatamente. E cada vez mais a gente produz essas imagens, cada um de nós, mas ninguém as está reciclando. Tenho a impressão de que isso vai dar um bug, nessa dimensão louca onde essas imagens ficam, e tudo vai explodir se a gente não começar a reciclá-las, se só ficarmos fazendo, produzindo novas coisas.
Você é uma artista que passeia por várias áreas: canta, dança, representa, sapateia e pinta. Como isso influencia suas obras?
Não faço a mínima idéia (risos). Acho que o artista não tem apenas uma forma de agir, ele tem uma matéria, qual seja a música, a imagem, a qual ele domina ou não. Às vezes eu produzo muito cinema, mas cinema me encanta, é tudo que me alimenta, eu gosto de historias, eu gosto de narrativa, então, eu faço uma exposição que se chama “Queime o Castelo”, sobre narrativas, sobre contos de fadas. Cada obra parada, um quadro parado, conta uma historia que você já ouviu – tudo bem, pode-se dizer que é uma releitura louca, alucinada, de Maíra, que na cabeça de Maira tudo é louco, mas, necessariamente, eu não sei onde os pontos são dados, qual é o tanto que eu entenda e goste de cinema ou o tanto que eu goste, entenda e produza música ou imagens. Hoje em dia, ninguém é mais artista plástico, todo mundo é designer gráfico, então, não sei onde está o ponto, mas acho que isso tudo se interliga.
Irmãos Grimm, bonecas, fadas: qual a relação dos contos de fadas com a técnica de colagem digital?
Acho que é algo subversivo. Uma atitude extremamente pirata minha de pegar e recontar histórias antiquíssimas. É obvio que já que foram pilhadas por outros, já foram modificadas, mas depois de um tempo elas se cristalizaram, então a gente conhece a história da Chapeuzinho Vermelho, da Bela Adormecida, e inclusive já relaciona as imagens desses contos de fada a filmes da Disney ou qualquer coisa parecida. Só que essas imagens são extremamente sinistras, esses contos de fadas são extremamente sinistros. O que eu quis fazer – e a técnica, necessariamente, nem é a questão – foi dar esse recorte de que hoje em dia somos uma geração extremamente prolífera e polifônica, tudo acontecendo ao mesmo tempo agora, muita imagem, e, ao mesmo tempo, no fundo da gente, ainda temos aqueles valores infantis, esses mesmos contos de fada ainda nos fazem sentindo. O príncipe encantado, aquele, que é a peça mais difícil da exposição, que me é um assunto muito importante, relevante ao homem pra mim, é aquele homem que eu espero e me foi ensinado. Ao mesmo tempo, eu o recorto e pico e remonto, porque é o meu príncipe encantado. Mas, ainda assim, ele faz parte de outros universos de príncipe encantado, de qualquer uma... ou um (risos).
O folheto da exposição vem assinado por uma amiga sua, Moema. Qual é a forma com que seus amigos a influenciam e como isso aparece – se aparece – na sua obra?
Uso muito meus amigos, normalmente – não necessariamente nesta exposição –, inclusive como imagem. Faço a mesma coisa: capturo fotos deles, pico e crio outras coisas, mas a Moema é um pedaço de mim, já não é mais nem amiga nem família: é um pedaço meu que está lá em Porto Alegre. Talvez ela seja a bailarina dos meus sonhos – meus amigos são meus contos de fadas também. Eu crio e recrio mitos, e eles mesmos recriam também mitos a partir de mim. No caso dessa exposição, está claro que é isso, mas eu não saberia dizer onde eles estão aqui neste momento, nestes quadros.
O sobrenome Espíndola é conhecido por sempre estar na área artística, isso a influencia de alguma forma?
Às vezes influencia para dar “carteirada”, né? (risos). Como suporte familiar nada, como referencia artística, tudo. O Humberto, por exemplo, é artista plástico fantástico. Ele me influenciou bastante, inclusive, percebi com o tempo que muitas peças que produzi têm uma referencia dele, lá distante, porque eu releio também. Ele não é meu “mestre”, eu não sou uma seguidora dele, eu simplesmente capturei alguma coisa dele ali que me é importante, algo que eu acho belo ou uma técnica que eu admiro, afinal, ele produz imagens com maestria. No e no caso dos outros, sou fascinada por algumas letras da Alzira e do Celito, de uma simplicidade tamanha que chega a ser uma faca no estômago, pois criar algo simples, sintético, que faça sentido pra qualquer um que entenda a língua é muito difícil. E ainda não banalizar, não deixar o texto tosco, isso aí é muito mais difícil, e nisso eles me influenciam, sim, não sei também exatamente de forma aqui nessa exposição. Talvez, se o Celito vier aqui, olhar e falar: “Olha, eu tô aqui! Tá vendo?”. Talvez ele veja, eu não vejo (risos). Ainda!
Sua exposição fica na sala onde ano passado foram expostos os quadros da Ligia Baís. Expor na mesma sala que ela diz alguma coisa pra você?
Eu acho que ela era subversiva também, extremamente subversiva, uma mulher rica, transformar-se numa artista plástica naquela época, não seguir os padrões da elite com a qual ela convivia e à qual pertencia. Acho que me identifico só nisso. Talvez também certa idolatria que mantenho. Mas eu tenho mais a ver talvez com o trabalho da Frida Kahlo, que lembra o de Lídia, mas com outra técnica. Às vezes é a mesma temática, mas Lídia era extremamente católica, coisa que não me faz muito sentido, é muito cristão, blábláblá, muito Jesus. Não que Jesus não seja um ótimo personagem, eu adoro Jesus, mas ele era um rebelde, e em Frida Kahlo isso me faz mais sentido. Mas Lídia Baís realmente foi a nossa vanguardista, isso não se pode negar, e era muito subversiva.