Aberto no dia 09 de agosto a exposição "7 tons de Vermelho" de Zilá Soares e "Pedalando na Lagoa" de Ton Barbosa, a mostra apresenta alguns quadros entre pesquisas e experiências dos artistas.
Zilá Soares
Como chegou a essa
exposição?
Esta exposição é
minha e do Ton. Ele está com as bicicletas e eu com o tema de taças,
garrafas e bares, um tema que eu já trabalhei em 2002. Em 2010 fiz
uma exposição de desenhos que chamei de “Vinho Veritas”, já
com essa coisa dos vermelhos, então aqui é uma sequência desse
trabalho. Mas esse é um dos meus trabalhos, sou uma artista que
gosto de trabalhar com variados suportes: pintura e desenho são
apenas alguns! E não necessariamente precisa ser o mesmo tema.
De onde vem a
influência da moda?
Minha mãe sempre teve
loja, cresci envolvida com esse universo da moda. Quando me formei
dei aula em curso de moda, trabalhei 14 anos com minha mãe
e quando falamos sobre moda, falamos de algo contemporâneo.
Se observar minhas figuras femininas, elas tem essa particularidade
das mulheres de hoje: estar bem vestida, ser magras e esguias.
E esse lado boêmio?
Meu pai diz que desde
pequena eu adorava ir à restaurantes, e ficava bem fascinada com
aquele visual das garrafas arrumadas em prateleiras, as taças e
várias coisas que me chamam atenção. Sou apaixonada por vinho, e
são essas coisas que dão prazer: partindo das formas de garrafas e
taças para criar uma estética interessante.
Ton Barbosa
Por que essa temática?
Moro perto da lagoa Itatiaia. Adoro morar ali porque é um pedaço do pantanal dentro do perímetro urbano. Sempre retrato o movimento dos biguás, e ali sempre há pessoas pedalando então resolvi juntar as duas coisas que eu gosto de pintar.
Alguns quadros são bem realistas outros quebram essa estética. Por quê?
Eu tenho muito forte no meu trabalho, o desenho, e ao mesmo tempo tenho uma briga para quebrar o desenho. Você ve que, os trabalhos da lagoa, trabalhei com espátula e perdi um pouco o controle do desenho, com essa intenção. De perto você bem as tintas espalhadas, mas mais longe você ve a lagoa. Já nas bicicletas, tem desenho preciso! Eu pesquiso os modelos de bicicleta, e como sou muito fã, sou muito fiel aos desenhos delas.
Tem uma pintura em parceria com outro artista...
O Guido é meu filho, ele tem 11 anos e desde dos 8 trabalhamos juntos. E gosto muito do desenho dele, só que ele não entende muito de cores e acaba borrando todo o desenho. Então a gente fez um acordo: ele faz o desenho e eu pinto!
As mostras “7 tons de Vermelho” e “Pedalando na Lagoa” está no Memorial da Cultura e Cidadania, que fica na avenida Fernando Correa da Costa, 559, no Centro de Campo Grande. A exposição permanece aberta ao público até 31 de agosto, das 7h30 às 17h30. A entrada é franca.
Em julho Campo Grande recebeu a IV Pantalhaços, foram 9 dias de muita alegria, risos e palhaçadas. Passaram por Campo Grande companhias de todo o país. Abaixo você confere um video-registro do que aconteceu:
Se quiser saber mais acesse: pantalhacos.blogspot.com.br!
Festival de Inverno de Bonito. Visão
de espectador
Na última
semana, do dia 25 a
29 de julho, o estado prestigiou o Festival de Inverno de Bonito. Um evento
rico em cultura e arte, onde música, dança, teatro e artes plásticas se
encontram dentro de uma celebração que atrai gente do mundo inteiro, com programação
diversificada, em que público e artistas podem usufruir de muita informação.
O homenageado
desta edição foi o poeta Manoel de Barros, que tinha uma avenida inteira
dedicada à sua obra, com biografia, trechos de poemas e trajetória de produção.
O festival se apresentou bem organizado, os eventos bem-localizados e de fácil
acesso, contando ainda com boa estrutura de transporte para os que aconteciam
em lugares menos acessíveis.
Havia dois
espaços para a produção de artesões de todo o Brasil e do mundo se tratando de
nossa espanholinha querida. Um era o Mercado Mundo Mix, onde a Najon esteve
presente todo o tempo, no estande da Mar-elia, e o outro, o pavilhão das artes,
em que vários artistas puderam expor seus trabalhos.
As atrações
musicais, sempre muito ecléticas, contemplaram vários estilos, do sertanejo ao
rock; artistas nacionais e regionais alegraram o público e deram o ritmo do
festival.
Com artistas
profissionais, amadores, famosos e anônimos o festival se fez bonito na cidade
de Bonito.
Além do Festival.
Andando pelas
ruas de Bonito, pude observar algumas crianças que caminhavam vestidas de
palhacinhos e chamaram minha atenção pela quantidade. Por meio delas, conheci o
INSTITUTO INTERNACIONAL VISÃO DE VIDA, um projeto que tem como objetivo aproximar
as crianças das atividades culturais, circenses, musicais. A entidade tem uma
estrutura que atende em dois turnos, sempre alternando com os horários escolares,
e o projeto exige que todos estejam com boas notas para participar de
apresentações. Ótima iniciativa para estimular a cultura e a arte entre a
infância e a juventude, o que proporcionoua participação da galerinha na abertura do festival.
Mercado Mundo Mix. Estande da Mar-Elia
Mercado Mundo Mix. Gente importante.
Exposição de Claudio Tozzi. Serigrafia
Pavilhão das artes. Artesanato sul-mato-grossense
Galeria de Bonito. Exposição de artistas locais
Teatro de Rua: Tekoha – Grupo Teatro Imaginário Maracangalha
Campo Grande exibiu sábado dia 05 de fevereiro o curta-metragem “Ela veio me ver”. A história de dois adolescentes em seu primeiro encontro. Filmado e produzido em Campo Grande, estreado na Mostra de Cinema de Tiradentes(janeiro 2011), selecionado para o Chicago Latino Film Festival e, esta semana, em turnê nacional no 3° Festival do Júri Popular! Fomos atrás do Essi Rafael, idealizador do curta, para um bate-papo rápido!
Por que o uso do cinema?
Eu acho que o cinema te transporta, é um lugar que eu me sinto bem. Desde criança, você entra no cinema e sente emoções que às vezes na vida, sua vida cotidiana, você não sente. Eu acho que o cinema é uma expressão muito forte, é a vida concentrada. O cineasta e toda a equipe trabalham para nessas duas horas condensar elementos muito importantes da vida. E eu acho que no cinema tem um sentimento forte! Eu não esqueço, de quando criança, você vai, você fica impressionado e quer voltar toda vez, tem uma envolvimento emocional muito grande que você não encontra na vida cotidiana.
Como foi o processo de produção do Curta “Ela veio me ver”?
Quando a gente passa pro lado de trás da produção é tudo mais trabalhoso, né? Não tem nenhum segredo. É relativamente simples, mas é trabalhoso você tem que correr atrás de uma série de coisas. Começando pelo, no caso, dinheiro se você quer trabalhar com uma equipe maior, com uma estrutura maior. Conseguir dinheiro não é fácil e quando você consegue às vezes é pouco, todo mundo ganha mal e tem toda a questão: que você lida com gente, com uma equipe grande. Você tem que aprender a lidar com as pessoas. E até como crescimento individual! To no começo de carreira, eu tenho muita coisa para aprender como todo mundo aqui. Tenho muito a aprender. Então é um processo bem complicado, cinema por ser uma arte coletiva assim que junta várias artes, que você trabalha com som, com imagem, com música, com atuação, teatro, é muita coisa. Então tem uma dificuldade muito grande de juntar tudo isso e fazer uma obra bacana que tenha algum sentimento disso tudo mas.. é isso aí se você gosta você tem que correr atrás. Foi difícil, dois anos de produção, mas é isso aí o tempo médio de produção, no Brasil, é por aí mesmo!
Com a exibição do cinemark, em Campo Grande como você vê a relação do cinema e exibição aqui. O que você acha de toda a situação do cinema agora aqui, especificamente, e no Brasil?
É complicado! A situação do cinema não está numa época legal. Aqui em Campo Grande, especificamente, o Cinecultura fechou, e já não era muito bem freqüentado. Também já diz muito da situação, mas a verdade grande parte do cinema brasileiro as pessoas desconhecem. O que é uma pena! Eu fiquei muito feliz com a exibição no Cinemark, por que teve um comparecimento grande, mas é um público bem especifico! Realmente é um público bem especifico, voltado e com interesse bem particular de cultura. Não é aberto pro grande público, vamos dizer assim. Isso ainda está bastante deficiente. O nosso nicho, assim, onde a gente pode por o filme, é esse local, mais especifico mesmo: festivais de cinema, freqüentados por pessoal da área. Eu não sei, acho que ainda tem que melhorar muito! Se você for ver o que tá em cartaz não tem muita opção nacional, e tem filmes muito bons brasileiros. Também não é fácil se você olhar ao redor do mundo, na verdade a questão é complexa em todo lugar! Se for nos Estados Unidos também é assim, se for na Europa. Então não adianta ficar penalizando-se, enquanto realizador você tem que tentar fazer uma obra que te satisfaça, que você tenha orgulho, e que você tente passar o que você pode passar, se você puder avançar em alguma coisa, ótimo! Mas a gente tem que jogar com o que você pode fazer. Se dá pra passar aqui no Cinemark, vamos passar, se dá pra passar nas escolas, vamos passar nas escolas. Faz o possível, mas não é exatamente uma situação boa!
Aqui em campo grande, tenho visto surgir bastante cineclubes, você pretende passar em cineclubes? E como fazer essa distribuição, não só desse, mas dos próximos curtas?
Os cineclubes. É uma alternativa super viável, acho que é uma das grandes opções que a gente tem de trabalhar. Com certeza, vamos passar em cineclube também e a gente tem o Fora do Eixo que é uma organização que está surgindo agora, que tem toda uma rede de cineclubes, que eu acho que está crescendo bem. DF5. É exatamente. E poxa é um caminho super viável que você bota o filme em circulação por vários cineclubes pelo Brasil. Enfim eu acho super bacana participar de cineclube.
O filme trata de um relação adolescente mas não é só para adolescente, qual seu olhar sobre o filme?
É sobre adolescente! É realmente, você está me confundindo. Eu quis fazer assim a gente tem uma certa ingenuidade na adolescência, mas essa ingenuidade traz uma certa dor também né? É um jogo que a gente está descobrindo certas coisas e também começa a descobrir a dor, a gente fica machucado. Com certos sentimentos. Parecem tão puros e ingênuos. Para mim, era muito importante retratar de uma forma, sei lá, que dê pra sentir uma alma ali, uma veracidade, essa situação do adolescente. Assim, você quando tem um sentimento, você gosta de alguém, você não sabe, exatamente, o que fazer com ele, o que transformar, o que fazer desses sentimentos. Por que você vê as referências de televisão, tudo parece que é super simples né? E tudo ao redor! E aí chega na hora, você não entende mas por que é tão difícil?! Eu não sei. Eu acho que seria um pouquinho de angustia junto com essa ingenuidade. A ingenuidade trazendo também um pouquinho de dor. Isso ae. Do ponto de vista da historia.
Por que filmar em campo grande?
Ah, por que Campo Grande é minha segunda cidade, eu sou de Aquidauana, mas Campo Grande sempre foi a cidade que ia fim de semana, sempre era. Eu acho assim filmar em casa tem um sabor especial. Você pode, acho que essa historia pode tranquilamente passar em qualquer cidade, assim, não vai alterar os rumos da estória. Fazer cinema em casa tem um gosto bastante especial dá um orgulho. Poxa! É onde você se sente mais confortável, né? São ruas que eu realmente passei na minha vida, são coisas, locais que eu conheço eu vivi. Para mim como realizador dá um gostinho a mais, mas faz diferença!
E algumas palavras pra quem está começando e pra quem gosta.
Primeira coisa que você tem que ter é perseverança. Não! O primeiro de tudo: você tem de gostar, né? Gostando muito você tem que ser muito paciente, viu? Às vezes não dá certo de cara. Até você entender mais ou menos como é que funciona o mundo de uma forma razoável, que você pode ter uma autonomia. O que fazer. Por que a primeira coisa é saber o que fazer. Não é tão fácil quanto parece! A gente diz “ah vou fazer filme”, mas não é exatamente bem assim, né? Então a agente vai se estruturando aos poucos, a recomendação maior é ter perseverança, ter senso crítico e procurar melhorar sempre. E você vai vendo os meios de exibição, que seja Youtube, o que for mais condizente com o seu estado atual e o que você pode fazer no momento. Se você tem uma camerazinha: filmar e botar na internet,faça isso! Se você tem uma condição de fazer uma coisa um pouquinho maior: faz um pouquinho maior. Mas é isso ai! Sempre com vontade, perseverança, acho que é a única coisa que dá pra falar!
Segunda dia de manifestação em frente a prefeitura de Campo Grande!
Os artistas pedem o cumprimento das políticas públicas para a cultura e o pagamento de editais do ano passado, como o fomteatro e fmic!
O ato poético foi pacifico, com a apresentação do mágico Rick Thibau e participação de crianças e pessoas que passavam pelo local!
A manifestação continuará até dia 27 de março, todas as sextas feiras! Próxima sexta, dia 25, será 16:30. Com apresentação do grupo Desnudos Del Nombre!
Em janeiro estive no MARCO e pude ver a exposição QUEIME O CASTELO de Maíra Espindola. São quadros surrealistas e cheios de subversão sobre contos e histórias que há muito tempo fazem parte do nosso imaginário. A exposição vai até dia 27 de fevereiro no MARCO, com exibição gratuita.
Agora estive com ela, e numa entrevista informal, Maíra falou um pouco da exposição e seu processo criativo!
Segue a entrevista em mp3 e em texto para uma maior acessibilidade!
ps. perdão pela voz e inexperiência do entrevistador...
O texto passou por uma correção gramatical!
Quando tempo pra compor e finalizar? Fale um pouco do processo de produção.
Bem, eu comecei a produzir, mas não sabia exatamente o que ia ser. Não tinha nome, não tinha uma cara, a primeira tela foi a Mandratana e a segunda, o Barba Azul. Percebi que estava estudando contos de fadas, que elas eram parte desse estudo e aí “entrei numas”. Comecei a pesquisar mais, a brincar mais, principalmente com conto de fadas, que me são interessantes até hoje. Foram uns três meses, basicamente, para produzir quase tudo, e algumas peças foram aparecendo depois. Então, do início até o fim da produção, levei uns cinco meses, e – pasme! – a peça mais difícil foi a última, foi a que demorou mais tempo: “O Príncipe Encantado”. Tendo eu 31 anos, solteira, discutindo o amor, fica bem claro o porquê (risos).
Quais técnicas você utiliza e por que as escolheu?
Na verdade, coloquei em quase todas as peças colagem e pintura digital, que foi o que eu comecei a produzir, era a base de tudo. Comecei a capturar imagens do Google, de flickers pessoais e a pilhar, mesmo, como pirata: pegar, costurar, cortar, colar, pintar, redesenhar. Cada obra deve ter em média 20 fotos, que ficaram irreconhecíveis, duvido que alguém reconheça de onde vieram. Chamei a isso reciclagem visual, porque a gente sabe que o universo da internet não é um universo físico exatamente. E cada vez mais a gente produz essas imagens, cada um de nós, mas ninguém as está reciclando. Tenho a impressão de que isso vai dar um bug, nessa dimensão louca onde essas imagens ficam, e tudo vai explodir se a gente não começar a reciclá-las, se só ficarmos fazendo, produzindo novas coisas.
Você é uma artista que passeia por várias áreas: canta, dança, representa, sapateia e pinta. Como isso influencia suas obras?
Não faço a mínima idéia (risos). Acho que o artista não tem apenas uma forma de agir, ele tem uma matéria, qual seja a música, a imagem, a qual ele domina ou não. Às vezes eu produzo muito cinema, mas cinema me encanta, é tudo que me alimenta, eu gosto de historias, eu gosto de narrativa, então, eu faço uma exposição que se chama “Queime o Castelo”, sobre narrativas, sobre contos de fadas. Cada obra parada, um quadro parado, conta uma historia que você já ouviu – tudo bem, pode-se dizer que é uma releitura louca, alucinada, de Maíra, que na cabeça de Maira tudo é louco, mas, necessariamente, eu não sei onde os pontos são dados, qual é o tanto que eu entenda e goste de cinema ou o tanto que eu goste, entenda e produza música ou imagens. Hoje em dia, ninguém é mais artista plástico, todo mundo é designer gráfico, então, não sei onde está o ponto, mas acho que isso tudo se interliga.
Irmãos Grimm, bonecas, fadas: qual a relação dos contos de fadas com a técnica de colagem digital?
Acho que é algo subversivo. Uma atitude extremamente pirata minha de pegar e recontar histórias antiquíssimas. É obvio que já que foram pilhadas por outros, já foram modificadas, mas depois de um tempo elas se cristalizaram, então a gente conhece a história da Chapeuzinho Vermelho, da Bela Adormecida, e inclusive já relaciona as imagens desses contos de fada a filmes da Disney ou qualquer coisa parecida. Só que essas imagens são extremamente sinistras, esses contos de fadas são extremamente sinistros. O que eu quis fazer – e a técnica, necessariamente, nem é a questão – foi dar esse recorte de que hoje em dia somos uma geração extremamente prolífera e polifônica, tudo acontecendo ao mesmo tempo agora, muita imagem, e, ao mesmo tempo, no fundo da gente, ainda temos aqueles valores infantis, esses mesmos contos de fada ainda nos fazem sentindo. O príncipe encantado, aquele, que é a peça mais difícil da exposição, que me é um assunto muito importante, relevante ao homem pra mim, é aquele homem que eu espero e me foi ensinado. Ao mesmo tempo, eu o recorto e pico e remonto, porque é o meu príncipe encantado. Mas, ainda assim, ele faz parte de outros universos de príncipe encantado, de qualquer uma... ou um (risos).
O folheto da exposição vem assinado por uma amiga sua, Moema. Qual é a forma com que seus amigos a influenciam e como isso aparece – se aparece – na sua obra?
Uso muito meus amigos, normalmente – não necessariamente nesta exposição –, inclusive como imagem. Faço a mesma coisa: capturo fotos deles, pico e crio outras coisas, mas a Moema é um pedaço de mim, já não é mais nem amiga nem família: é um pedaço meu que está lá em Porto Alegre. Talvez ela seja a bailarina dos meus sonhos – meus amigos são meus contos de fadas também. Eu crio e recrio mitos, e eles mesmos recriam também mitos a partir de mim. No caso dessa exposição, está claro que é isso, mas eu não saberia dizer onde eles estão aqui neste momento, nestes quadros.
O sobrenome Espíndola é conhecido por sempre estar na área artística, isso a influencia de alguma forma?
Às vezes influencia para dar “carteirada”, né? (risos). Como suporte familiar nada, como referencia artística, tudo. O Humberto, por exemplo, é artista plástico fantástico. Ele me influenciou bastante, inclusive, percebi com o tempo que muitas peças que produzi têm uma referencia dele, lá distante, porque eu releio também. Ele não é meu “mestre”, eu não sou uma seguidora dele, eu simplesmente capturei alguma coisa dele ali que me é importante, algo que eu acho belo ou uma técnica que eu admiro, afinal, ele produz imagens com maestria. No e no caso dos outros, sou fascinada por algumas letras da Alzira e do Celito, de uma simplicidade tamanha que chega a ser uma faca no estômago, pois criar algo simples, sintético, que faça sentido pra qualquer um que entenda a língua é muito difícil. E ainda não banalizar, não deixar o texto tosco, isso aí é muito mais difícil, e nisso eles me influenciam, sim, não sei também exatamente de forma aqui nessa exposição. Talvez, se o Celito vier aqui, olhar e falar: “Olha, eu tô aqui! Tá vendo?”. Talvez ele veja, eu não vejo (risos). Ainda!
Sua exposição fica na sala onde ano passado foram expostos os quadros da Ligia Baís. Expor na mesma sala que ela diz alguma coisa pra você?
Eu acho que ela era subversiva também, extremamente subversiva, uma mulher rica, transformar-se numa artista plástica naquela época, não seguir os padrões da elite com a qual ela convivia e à qual pertencia. Acho que me identifico só nisso. Talvez também certa idolatria que mantenho. Mas eu tenho mais a ver talvez com o trabalho da Frida Kahlo, que lembra o de Lídia, mas com outra técnica. Às vezes é a mesma temática, mas Lídia era extremamente católica, coisa que não me faz muito sentido, é muito cristão, blábláblá, muito Jesus. Não que Jesus não seja um ótimo personagem, eu adoro Jesus, mas ele era um rebelde, e em Frida Kahlo isso me faz mais sentido. Mas Lídia Baís realmente foi a nossa vanguardista, isso não se pode negar, e era muito subversiva.
Em tempos de imagens e video e milhões de informações não queremos inventar a roda então segue video da revista do cinema brasileiro com Neville D'almeida
A Najon tem o mesmo intuito do que Neville diz: "que arte é transformação, a arte é transmutação, é não ficar preso... a arte é para o povo", e seja ela boa ou ruim, pagã ou religiosa de que forma for a Najon, quer mostrar, quer interagir, quer fazer, quer comer, quer sentir essa arte. Se ela vier da cultura local, ou da cultura de fora, se ela vier de uma mente ou de duas mentes ou de três mentes, insanas ou "normais". Que ela seja explorada pelo humano que há em todos os humanos, em todos os cães, gatos, pássaros, mineral ou vegetal!
E especialmente dar suporte para que essa Arte seja reconhecida e valorizada!
O ano de 2009 e 2010 foi muito importante, digo particularmente, sou um grande fã de todas as manifestações artísticas, do simples desenho ao complexo cinematografo, e pude participar de duas produções de cinema, na realização de um festival, e uma intervenção teatral graças ao meu interesse, claro! E nisso pude perceber e conhecer gente que faz arte ou que faz cultura ou que só ajuda ou que faz tudo isso junto! Alguns ganham e amam, alguns trabalham e amam, e alguns apenas amam. Todos eles profissionais no que fazem ou estudantes dedicados. Uns são desde de pequeno, outros já começaram grandes, uns pela vida inteira, alguns pela metade da vida, outros por um curto período. E isso me fez ver o grande universo que é a arte! Seja ela para entreter, educar, vender ou junto a várias áreas de conhecimentos em que pode ser utilizada. Também vi o quanto essa arte, essas pessoas não aparecem no médium de forma critica e interessada. Mas há pessoas que trabalham para isso acontecer e espero que a najon seja mais uma força para impulsionar a vivência da arte produzida aqui ou no mundo! Fazer isso juntando quem faz!
Para que as pessoas revivam a prática dos modernistas do começo de século XX de conhecimento, educação,e a sua antropofagia, "comer" o que acha que é bom para você na Arte, e numa prática pós modernista de começo de século XXI, utilizando todas as novas e velhas ferramentas de comunicação: compartilhando isso com todos que partilham dessa idéia! Eu sou apenas um estudante de artes e farei o possivel para colocar aqui e em todos os lugares possíveis o que os artistas de campo grande fazem, onde fazem, como fazem e como nós podemos consumir essa arte!
Espero contar com todos os artistas daqui e de fora, (amigos ou inimigos!!) com artigos, entrevistas, e sua produção. E que possam contar com a NAJON!
É com essa idéia que se formou a Najon espero que ela possa ser lhes útil de alguma forma! como disse no começo do texto não quero inventar a roda mas se posso fazer uma... que seja da utilidade de muitos!
E segue também um video sobre as relações politicas do Brazil e a "TV" por uma empresa inglesa, o video tem 1:30:00 de duração recomendo assistir com pipoca e um refri!
E pra terminar a Najon apoia o movimento do Teatro: A UM PAÇO DA ABERTURA! Com cobertura exclusiva! Você vai clicar por aqui!!!
E repudia qualquer forma de repressão ou intimidação que surgem de um poder público que acolhe a decisão de uma pequena elite empresarial e detentora de quase todas as formas de comunicação como ocorre com a "lei do silêncio", a mudança do local de carnaval e até mesmos mudanças como da feira livre de lugar por caprichos de uma "organização religiosa", a retirada dos trilhos e outras "mudanças"que não são "vistas"!
Agradeço sua visita aqui e espero que volte!
Thiago Menezes de Albuquerque*
*nome "artistico" num post próximo talvez eu diga o por quê!