quinta-feira, 28 de junho de 2012

Exposição Cultura & Criações

A exposição Culturas e Criações, dos formandos e formados no curso do Senac, que abriu dia 21 de junho e vai até o dia 06 de julho no terreo da Fundação de Cultura de MS apresentou obras de bom gosto, confirmando a proposta da exposição. Obras dos mais variados tipo e formas e em diferentes contextos, são: telas, corseletes, vestidos, uma video instalação e gravuras mostrando a pesquisa e o material produzido pelos artistas.
Mariana Sena
Mariana Sena sugou referências do "Cão Andaluz" de Dali e Buñuel para criar seu primeiro vídeo, conclusão de sua graduação, exibido na mostra.

"Eu fiz a pós e eles me convidaram para expor novamente aqui. Fiquei bem feliz, aqui pude sair do armario! E eu sou sempre video, não consigo sair disso, mas aqui também apresento a primeira video-instalação. Meu primeiro video foi o Sub-solo da mente onde, inspirado no surrealismo de Dali e Buñuel, suguei do "Um Cão Andaluz". Já meu video-arte Repetições é inspirado na artecinética  do filme O Inferno de Clouzot."


As fotos montagem de Mariana Gomes aborda o universo das pin-ups, através de fotografia e o uso de programas para edição.
Mariana Souza
" Por ser uma coisa do passado e as mulheres ainda serem vistas como objetos pelos homens, faço essa referência as pin-ups. Eu manipulo a imagem, confecciono a foto pensando nessa luz e depois monto adequando a alguns cenários com referencias da Pop Art"

Utilizando, também, pin-ups como referência, Thyanne Oliveira apresenta vários corsetes cheios de brilhos e formas sinuosas.
"Eu queria que fosse uma coisa sobre sedução e erotismo e pensando nessa sensualidade, surgiu o corset que modela o corpo e tem essa relação de fetiche. Para basear meu trabalho eu lembrei das pin-ups e da Art Nouveau. Tentei focar na forma e nos elementos figurativos também, como as flores, os pavões e esse lado do sinuoso, do burlesco. Também queria que elas fossem divertidas e que a pessoa pudesse tirar sozinha, além dos conceitos de sinuosiade, profusão e geometria que encontrei nas pedras, me inspirei no conto da Branca de Neve mas aquele dos irmãos Grimm original onde não é uma historia infantil da Disney."

Usando a roupa como suporte e o corpo como vitrine Elaine Valdez apresenta sua pesquisa em vestidos utilizando a referência de Conceição dos Bugres e dos discos de vinil.

"Eu tive a oportunidade de conhecer vários campos da arte e isso me abriu muitos caminhos. Nunca pensei em exposição mas aqui eu tô com colegas da minha turma e de outras turmas. Apresentei um vestido feito com discos de vinil, detalhe que muita gente brigou por causa dos discos. O processo de pesquisa durou 4 meses até conseguir o que eu precisava para montar o vestido. E o outro vestido é um homenagem à Conceição dos Bugres, uma referencia de MS mas sinto falta dela na moda. Peguei um vestido que já existia e com a pintura eu transformei ele na Conceição. É interessante que eu já sai com ele e nas ruas as pessoas gostam muito, deperta o interesse mas muitas vezes não conhecem a Conceição. E agora eu to numa pesquisa me baseando nos irmãos Campanas para outros vestidos."

Além das artistas entrevistadas ainda há obras dos artistas: Cid Nogueira Fidelis, Magno Missirian, Paola Roma e Vívian Calazans Ribas.

A mostra fica exposta de 21 de junho a 6 de julho, aberta a visitas de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17 horas. A entrada é gratuita. A galeria do Memorial da Cultura fica na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, na Capital. A entrada é franca e vale a pena uma parada lá!


Thiago Moraes
NAJON


domingo, 24 de junho de 2012

Outside a Dream - vídeo dança 2011

"Outside a Dream" é uma vídeo dança que foi produzida na oficina Entre Corpos, oferecida pela Fundação de Culura do Mato Grosso do Sul no ano de 2011 do Projeto Dança em Foco, ministrada por: Lara Seidler e Leonel Brum. Além da produção, a oficina possibilitava o contato com conceitos básicos e discussões sobre vídeo dança, como também referências em vídeo dança.
A linguagem da vídeo dança é recente e, não tem como intuito ser um registro da dança. Nesse caso, a dança passou por um processo de hibridação de linguagens com o audiovisual ampliando suas possibilidades.
Esta vídeo dança foi produzida por: Breno Benetti, José Henrique Yura, Manolo Schittcowisck e Pedro Yule; seu nome "Outside a Dream" significa "fora de um sonho" e sua narrativa é construída pelos movimentos das roupas, dos performers, junto as cores e as luzes. A trilha sonora foi montada com músicas da banda CocoRosie, colaborando na sua dramaticidade.
O universo onírico desta vídeo dança é referente a criação da roupa e toda sua expressividade enquanto coisa existente. O corpo dá lugar a visibilidade de seus adornos, mostrando sua necessidade de adornamento (ele tira a roupa e depois se pinta). A fantasia acaba ao ligar a luz branca novamente, deixando as roupas sem vida, tornando-as comuns e banais.

José Henrique Yura
NAJON




sábado, 7 de abril de 2012

Dialetos e As cores do Lugar! Mostras em exposição no MARCO.

Dia 20 de março abriu as mostras DIALETOS e AS CORES DO LUGAR no Museu de Arte Comtemporanea de Campo Grande. DIALETOS é uma iniciativa do artista plástico Paulo Henrique Silva e apresenta obras de várias artistas de MS, GO e DF e seus dialogos comtemporaneos. Já AS CORES.. apresenta a obra da artista aquidauanense Anelise Godoy que numa exploração do arenito de aquidauana mostra a variedade de cores e formas, em suas assemblagens e esculturas. Fomos na vernissage e pedimos uma palavra dos artistas que você confere abaixo!

Fotos por Daniel Reino



"A exposição surgiu da percepção de quando eu estive aqui, participando da comissão de premiação do salão de 2011, percebi algumas coisas em comum com o estado de Goiás, com Brasilia e que precisava fortalecer-se, criar esse intercâmbio, fazer com que essa vitrine circulasse no centro oeste. Então eu primei por princípios básicos, procurei as instituições locais pra me passar os mailings desses artistas que tivessem produção de 10 anos pra cá, e que tivesse uma tendência totalmente contemporânea, a partir disso comecei um processo de seleção de portfólios que contemplasse DF, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Infelizmente não consegui ter as pessoas de Mato Grosso devido a uma tendência diferenciada na produção deles. E de tudo isso resultou essa exposição de relações dialógicas que é esse dialeto imagético que vocês têm aqui."

Paulo Henrique Silva - curador



"Participar da exposição é uma honra. Com artistas tão bons e vários artistas que estudaram comigo é muito bom! A foto foi uma produção que fiz para o trabalho de conclusão de curso de artes visuais e na produção houve alguns problemas por que demanda dinheiro e tempo, mas contei com a ajuda de vários amigos e de alguns artistas que disponibilizaram material sobre moda da época, e então juntei meus estudos de iluminação e desenvolvi esse trabalho que é baseado na cinematografia noir. Minha intenção de fazer o trabalho com esse tipo de iluminação foi por causa da beleza dos filmes noir, o uso da iluminação para ajudar a contar a história e reforçar a narrativa. Como na época a luz também era feita com pouco recurso e com muito arrojo, do ponto de vista estético é bem interessante trabalhar a temática e esse tipo de iluminação. E os flash compactos oferecem uma luz que as pessoas consideram duras, bem concentrada e forte, que é bem parecido com o tipo de luz que usavam nos filmes! "

Daniel Reino.

"Tá sendo uma exposição muito boa, com trabalhos de peso dos estados de Goias, MS e de Goiana. E o Paulo Henrique fez um grande trabalho estou contente de estar aqui hoje, vendo o resultado de que o centro oeste tem
uma nova leva de artistas com trabalhos significativos. Esses desenhos partem de leituras que faço, e de certas marcações que faço durante a leitura. Ênfases, sobreposições, que acontecem nesse período depois eu passo pro papel vegetal e então num trabalho de composição, coloco um pouco de desenho aqui, outro ali, faz um intervalo. A arte na contemporaneidade ela tende a seguir um viés contrário e no mundo que a gente vive hoje tudo tem que ter um pra que, um objetivo, mas no meu trabalho o que fica importante pra mim é esse processo de pesquisa, e as vezes eu não sei onde vai parar e no final acaba tendo desdobramentos sobre o que é essa pesquisa."


Helô Sanvoy

"Eu parto de um suporte floral, não é uma tela branca, é um chitão floral que eu estico numa tela, num chassi. Eu uso apenas a tinta branca, e ao mesmo tempo, que pinto, eu apago o floral, mas deixo algumas linhas desse floral formando o meu desenho. Então não falo só desse desenho eu falo de um suporte, ao invés de usar uma tela em branco eu apago uma coisa e torno a tela branca então o que sobra é que acaba formando o desenho e também em alguns momentos eu uso a veladura e essa transparência que por mostrar o suporte. E em outros momentos o branco é mais compacto. E é muito interessante pra mim, participar da exposição, especialmente pelos artistas de Goiana estarem no meu ateliê desde domingo. Ficamos, praticamente em tempo integral, conversando, trocando experiências, e esse dialogo pode fazer a diferença podemos juntar forças!"

Ana Ruas



"A Dialetos pra mim foi uma surpresa! Quando a Ana Ruas convidou-me para mandar o portfolio para uma seleção eu pensei num projeto menor, mas depois que fui conhecendo o projeto do Paulo Henrique, o curador goiano que organizou a mostra, era uma coisa muito mais séria e mais ambiciosa! Ele fez uma seleção muito representativa de artistas que, não são só do agrado dele, são artistas que participam de salões, de programas como o rumos, ele buscou gente que tem um trabalho profissional como artista e que está inserido nesse meio, mas ao mesmo tempo, pela distancia do centro oeste, por essa não tradição que a gente tem acaba ficando perdido dentro deste contexto nacional. E naquela ideia de que a união faz a força ao invés de ser três estados com dificuldade para impor-se, um grupo de estados representando uma região, fazendo uma mostra, fazendo algo realmente representativo, se for olhar não tem nenhum elo fraco, todos os trabalhos são consistentes, interessantes, são todos profissionais de artes. Estou muito contente de participar da mostra e apesar de eu ser uma das poucas a não entrar nos últimos salões, participar aqui é uma honra. Meu trabalho que apresento na mostra, desenvolvo desde 2009 em pintura e trabalho com iconografia cristã sutilmente inserida em cenas contemporâneas, então eu faço uma pintura bem viva, bem alegre, propositalmente chamativa mas repleta de símbolos esquecidos. É um comentário sobre isso: o que é antigo, o que é novo? Será que uma leitura incompleta, que é o que muitas vezes caracteriza a arte contemporânea, não é uma prerrogativa só do novo, o velho também tem esse esquecimento? E você olha uma obra com uma leitura e existem várias outras possibilidades, e daí? Você pode continuar tendo sua leitura! O conjunto de obras ele é muito chamativo pictoricamente, mas ele traz uma terceira, uma quarta, uma quinta vista e pode não ter importância nenhuma nisso tudo!"

Priscilla Pessoa

"O convite para essa conexão com os estados foi muito importante, minha primeira exposição aqui no MARCO! E ao mesmo tempo, que trabalhava no meu TCC, eu tirava algumas fotografias e a partir delas, fazia alguns desenho que serviam mais como ilustração, um passatempo! Eu cortava os papeis e ia desenhando grafite sobre papel, e tinha alguns trabalhos em aquarela. A curadoria selecionou alguns para a mostra! Então começou como um passatempo que acabou sendo selecionado para a Dialetos!"

Thais Gambialti

"É a segunda vez que eu venho aqui em campo grande, eu vim fazer uma individual na sala preta do MARCO, sempre penso que apesar de ser de Brasília e são vários circuitos várias estradas que a gente percorre e quando o Paulo mandou o convite não fiz só questão de mandar as obras e de mandar trabalhos novos mas como eu falei “vamos pra lá, participar” e é muito legal por que é importante fortalecer laços, são pessoas da sua casa querendo ou não. Ver, conhecer quem tá do lado, aprender a ver os problemas e as vantagens que tem aqui no Mato Grosso do Sul, conhecer a produção dos amigos de Goiana. Esse lance da pesquisa ele é bem atual, acho que o artista ele tá mais afastado da certeza. Parece que quando você mostra uma obra, querendo ou não impõe quase uma certeza: eu fiz isso por causa disso! Tudo que você mostra é uma afirmação, é uma escolha. E hoje, principalmente a gente que é jovem, é isso, uma pesquisa mesmo. Direto as minhas séries, os títulos surgem mais pra frente. E essa série eu fiz agora em fevereiro, e ainda não tem titulo, não tem nome de série que ainda é lima pesquisa e provavelmente em goiana eu posso acrescentar mais desenhos ou tirar e isso reflete um pouco isso que a gente está mais tateando do querer impor coisas, dizer coisas. O que interessa mais, o pessoal hoje é mais a dúvida e essas coisas do que as afirmações, as certezas e jargões!"

Vírgilio Neto



AS CORES DO LUGAR

Esse meu trabalho na verdade é um resultado de uma pesquisa. Na região de Aquidauana nós temos uma rocha sedimentar que é o arenito, arenito da formação Aquidauana, que tem diversas tonalidades, nessa mostra eu procuro reunir isso. Têm vermelho, ocre, alguns alaranjados e dentro dessa possibilidade de matéria regional, nosso, eu trabalho com pintura natural, fazendo essas tintas a partir do arenito que nada mais é do que uma raspagem da rocha e utilizar o pigmento nas tintas. Também tinha um trabalho na área de escultura com a mesma rocha, então faço esse aproveitamento entre a pintura e a escultura utilizando a mesma matéria, dando umas leituras diferentes dentro de uma proposta regional que eu trabalho. Nessa mostra eu reuni um pouco desses trabalhos tanto bidimensionais quanto tridimensionais, algumas assemblagens que são esses bidimensionais com algum volume.
Nesses trabalhos de assemblagens, eu junto os fragmentos que sobram das esculturas. Eu fiz alguns artesanatos, algumas experiências, e nasceram esses trabalhos. Esculpo um pequeno fragmento, depois eu trabalho várias tonalidades e mostro essas várias possibilidades. Eu já tinha um trabalho anterior com assemblagem e faço parte de uma geração pós divisão do Estado então pertenço a uma geração de mais de trinta anos. Trabalho no interior e sou uma referencia dentro de Aquidauana, minha cidade natal.

Anelise Godoy

AS MOSTRAS VÃO DO DIA 20 DE MARÇO À 27 DE MAIO! O MARCO ESTÁ NA RUA ANTONIO MARIA COELHO, 6000 NO PARQUE DAS NAÇÕES ÍNDIGENAS. ABERTO AO PÚBLICO DE TERÇA A SEXTA DAS 12H AS 18H E DOMINGOS, SÁBADOS E FERIADOS DAS 14H AS 18H. ENTRADA FRANCA

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Entrevista Fran Gomes!

Franciele Gomes, estudante de artes visuais na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS. Eclética, sempre foi apaixonada pelas artes, pintura, fotografia, escultura, etc. É organizadora das Vernissages que acontecem no Rockers bar, e em agosto nos cedeu esse entrevista sobre a primeira exposição que realizou!



De onde surgiu a ideia de uma exposição?

O pessoal do Rockers é nosso amigo, o Cláudio e o Manciba, já há algum tempo. Desde que surgiu o bar, conversávamos sobre música, pintura, escultura, tudo anda muito junto. E eles viviam me cobrando: por que você não faz uma exposição sua aqui pra mostrar as obras? Questionei: mas só minha? Não, vamos organizar direito. Então, quando a gente decidiu fazer, eu já tinha uma noção maior da coisa, agora que estou pra me formar. Aí, a gente se reuniu e tomamos a iniciativa de fazer uma coisa legal, galeria, e lá tem um espaço legal, é um barzinho pra todos os gostos. Convidei alguns amigos da faculdade, porque dentro da faculdade você conhece quem tem um trabalho legal. Chamei mais quatro estudantes. Ficou uma exposição muito bacana, com cinco estilos diferentes e bem próprios.

Quem são esses cinco artistas?

Sou eu, com sete obras. As minhas obras não tinha uma sequencia pois foram obras que desenvolvi durante o curso! Umas abstratas e algumas sem nome, bem coloridas e contemporâneas. O Ivan Luis com as hiper-realistas. As três pin-ups deles. O Joni Lima com cinco obras, influenciadas pela pop art, retratam Pink Floyd, Bob Marley, Jim Morrison. O Zé Henrique, com três obras, mais abstratas e expressionistas. Como o quadro do Marilin Manson e uma mais conceitual com o Marcelo Dourado segurando uma bandeira gay. E cinco obras da Lady's Paty que são bem coloridas e surrealistas! E o pessoal dizia que lembrava muito de Alice no País das Maravilhas. Ela apresentou um trabalho que foi bem apreciado: colorido a lápis de cor e composta por quatro quadrinhos. Então são cinco artistas, bem variados.



Quais as intenções da vernissage?

A intenção é levar a arte pra qualquer ambiente. Mostrar que a arte ela pode estar em qualquer lugar, pra qualquer classe social! Começar a divulgar essa cultura da arte para todo mundo e em todos os espaços. A gente tentou colocar um preço bem acessível, isso é importante. É bom pra gente que está começando, é bom pra quem ainda não sabe apreciar uma obra e a gente sabe que a situação não está boa para todo mundo. Conseguimos vender algumas obras, e depois elas voltaram para os artistas e para os dono, pois algumas já estavam vendidas. E também pode ser que vá para outros lugares. Além disso fomos notados, fomos vistos e de repente conseguiremos ir a outros espaços.

A arte ainda é um coisa elitizada, pra quem pode gastar com arte. Como isso foi visto?

Como a gente pensou nisso! Como é difícil por preço, e é uma coisa que dentro da academia a gente discuti muito: como por preço? E realmente o preço, o artista, é muito mais valorizada a obra quando ele vai para esse espaço institucional em que ele recebe esse reconhecimento. Então a gente colocou um preço acessível, porque a maioria não entende que obra tem um valor significativo! Nem todo mundo tem essa visão, essa cultura e poder aquisitivo pra comprar. Mas é uma coisa que a gente está aprendendo.

Vocês saem da faculdade agora e como foi essa saída da academia e entrada para um mercado? Já viu algum reflexo disso?

Para mim, como estou como organizadora, foi muito motivador. As pessoas apreciaram e elogiaram a iniciativa e isso é muito importante para o currículo. E acabei por começar muito tarde, e que isso fique como mensagem para quem está começando agora: de correr atrás disso sempre, e preencher o currículo com coisas que forem aproveitáveis, alguma coisa de conteúdo. Isso foi muito bom. Agora eu estou lá como curadora, organizando outras vernissages e levo para outras pessoas. Isso é importante também: chamar pessoas que estejam em contato com arte, para levar para outro lugares também. Mas foi bem difícil, é um trabalho de formiguinha.

A vernissage foi dentro de um bar. Como é isso de sair de instituições e ir a outros lugares?

Eu acho isso muito gratificante, engrandecedor. As vezes as pessoas tem vontade de ir a certos lugares mas por algum motivo nunca vão. Por que o circulo de amizades não vai, é muito caro, não tem tempo. Então com a obra de arte é a mesma coisa, as vezes as pessoas adoram observar um quadro, gostam de obras mas não sabem nem onde ir. Não vão ao Marco, a exposições, não vão a esses locais, então trazer isso pro Sys, pro Rockers, é dar oportunidade. O pessoal vai lá e olha: “Nossa que bacana, é assim que é. Então vamos lá no marco? Olha aquele artista que estava lá no Rockers vai expor no marco” isso é bacana. Então traz essa proximidade, é difícil? É difícil! Por quê? Por que a maioria não valoriza “ ah nossa mas esse quadro é muito caro”! Acha que é muito fácil e não é. Então tem tudo isso e tem pessoas que tem esse distanciamento, que acha que é caro! Mas as vezes, mesmo essas, estão se envolvendo com a questão da arte. E sempre se falou sobre levarem cultura para os espaços públicos. Então isso que a Erica fez no república, que tem no Sys, que a gente faz no Rockers é bem bacana. E os decoradores falam isso: que a gente tem que agradar todos os sentidos! Uma boa música para os ouvidos, uma bom quadro pra agradar a visão e o pensamento né? As vezes tem crítica, que nem esse meu quadro com o Mc Donalds é uma questão pra se pensar, isso que é interessante a arte que traz uma reflexão!

E qual foi a obra que mais te chamou a atenção?

Eu tenho uma teoria simples: tudo que os outro fazem eu acho que é melhor que o meu! Risos. Eu Acho muito interessante as obras do Ivan, é hiper-realismo que eu mesmo não faço, quer dizer já fiz na faculdade. Eu acho muito bonito. E é difícil falar, por que eu gostei muito de todos. Gosto muito do trabalho do Joni que faz com alguns músicos que marcaram mundialmente várias gerações. O trabalho da Paty também é bem marcante, com lápis de cor! E do Zé, que é um que eu acompanhei, durante a faculdade, o processo de trabalho. E quanto aos comentário: as do Joni foram bem comentadas pois é um lugar que eles gostam de rock. As do Zé criaram bastante polêmica, princialmente a do Marcelo Dourado e do Marilin Manson. A da Paty também, principalmente porque era lápis de cor e as minhas também por causa do conceito: a do Mc donalds e do passarinho que apesar de estar livre, ele está pintado com camisa de presidiário.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Anderson Lima Produtor Pantalhaços

O mês de férias brindou Campo Grande com uma explosão de eventos artisticos e um desses eventos foi a Pantalhaços - Mostra de Palhaços do Pantanal. Uma mostra de espatáculos de rua ou não, que trouxe para perto do público a figura do palhaço! Homenageando os atores Breno Moroni- palahaço, mimico, faquir, contorcioanista, engolidor de fogo - e Carmo Martins de Araujo, o Peninha - palhaço, trapezista e equilibrista. A Pantalhaços aconteceu nos dias 13 à 17 de julho em vários pontos da cidade e apresentou além de espetáculos, oficinas e palestras. Para saber mais sobre sua produção e o evento a Najon entrevistou um dos produtores, o Palhaço do grupo Flor e Espinho: Anderson Lima.




Quem é você e o que faz?

Anderson Carlos de Lima e faço um monte de coisa.

Como foi a produção do Pantalhaços?

A Pantalhaços é uma produção da gente, Flor e Espinho com o Circo do Mato, e quis que ela aumentasse um pouco mais. Já é a terceira edição, e as edições anteriores foram pequenas e com pouco público. A gente quis a saída da feira central, onde ela acontece e teve uma surpresa: as expectativas foram alcançadas e acima do esperado. Muita mídia, muita televisão, muito jornal impresso e muita participação do público. O público chegou como a grande surpresa, não esperávamos tanto público curtindo os palhaços.

O que é a Pantalhaços?

A gente tem a pesquisa dentro do Flor e Espinho do palhaço, já começado há algum tempo, e o Circo do Mato também tem a pesquisa deles. E o palhaço tem sofrido alguns preconceitos, algumas pessoas usam o termo pejorativamente, existe um certo preconceito da classe artística com a arte do palhaços, algumas pessoas acham que é uma arte menor. A própria sociedade acha que é coisa de criança, quer dizer é um mundo muito desconhecido, e a gente que é apaixonado por essa arte e tenta trabalhar da maneira mais séria possível, estudando, buscando conhecimento com os mestres. A gente quer que a coisa seja corrigida e espera que a mostra caminhe nessa via de mostrar a sociedade, e à própria classe artística que para ser palhaço precisa estudar muito!

O público estava em contato com vocês, como foi a recepção?

A arte de rua tem isso. A arte de rua tem esse desafio, a gente nunca sabe o que vem. Acho que por isso é tão gostoso e a gente gosta tanto de fazer rua. Apareceu um cachorro, um bêbado... A mostra, a gente quis descentralizar, fomos pra orla morena, pra feira central e no horto montamos o palco principal, mas as vezes o público passa um pouco do limite. Creio que é falta de educação mesmo, falta de acesso. A experiência que a gente tem com o Festcamp, que a gente faz com a ACP, tinha conhecimento do público de Campo Grande. Por exemplo, a gente não poderia cobrar e quando a gente faz a curadoria, sabe que espetáculo trazer. E um dos reflexo disso é a criança querer bater no palhaço, o próprio pai incentivar isso, então tivemos que falar para as crianças parar por que estavam atrapalhando o espetáculo. Em outro, como no Sob Controle, esperamos a oportunidade e jogamos água na criança, por que o espetáculo permitia, em outros não tem essa abertura.

Patrocínio, não cobrar entrada, como levantar um evento?

É muito cruel isso. Eu preferia chegar para o governo e dizer a ideia do projeto é essa, e precisamos da grana para fazer isso e não ter que lidar com prestação de conta por que isso é tercerizar. Se as pessoas não confiam nos artistas, então que faça a prestação de contas, ou melhor, que contrate o que a gente pede. Poderia chegar para a fundação de cultura, fazer toda a gestão e entregar nas mãos deles. Eles pagam e não teria tanta dor de cabeça mas não é assim. Tercerizam nosso trabalho, demoram para liberar o dinheiro, lei Roaunet não existe aqui para gente, é só nos grandes eixos Rio, São Paulo, Paraná e trabalhamos o ano inteiro para isso!


Como artista de rua e palhaço o que você espera do evento

Olha eu acho que Campo Grande precisa, e toda população precisa de ter acesso a cultura. A gente pode falar em vários campos do que a cultura promove nos seres humanos. Desde que se descobriu o fogo, uma pessoa tinha um dom, talento. e ia para frente do fogo e brincava com a sombra e ali tinha uma celebração cultural, artística ali! E todo ser humano necessita isso, além dos direitos básicos a saúde, ir e vir, o acesso a cultura e é o que menos se oferece. Qual o investimento real do governo do estado dentro dessa área? E a gente faz esses eventos para que a sociedade tenha acesso, possa cobrar mais o poder público e participar. A gente viu os secretários participando da mostra e esperamos que os gerentes do poder tenham os olhos mais voltados a essa área!

Qual o espetáculo que mais gostou?

O nosso é claro! Risos. Meu espetáculo é maravilhoso! Todo mundo tem que ver o Sob Controle. Bom, eu não vou falar por que é uma situação muito complicada. A gente tem um carinho muito grande pelo Circo do Mato, que são nossos parceiros. A gente gosta muito da estética deles, dá palpite nos trabalhos deles assim como eles nos nossos. Mas o que eu acho mais bacana que essa mostra trouxe e foi diferente das outras é a inserção de quem estuda. O Mauro(Circo do Mato) trouxe os alunos dele, de ver a “mulecada” já com um trabalho na mão, monociclo, tecido. Os meu alunos, resultados de oficina, o pessoal de Dourados que apresentaram aqui, de Nova Alvorada do Sul, já com trabalho também, crescendo, que trabalha junto. Isso que é o mais bacana, a mostra com esse caráter formativo. Trouxemos de fora o Breno Morani, que é uma figura muito importante nesse meio, na edição passada trouxemos o João Lima da Bahia. Então isso tem apresentado resultado. As pessoas tem se preocupado com a formação e, como o grupo Desnudos Del Nombre que participaram de várias oficinas e tem um espetáculo pronto. Isso é o mais bacana da mostra, além do Sob Controle é claro!

segunda-feira, 28 de março de 2011

38° Sarau dos Amigos

O apresentador Cleber Dias conduziu o 38° Sarau dos Amigos que apresentou a música do grupo Guavira Elétrica e dos cantores Rodrigo Nantes e Gabriel , Leandro Ávila, Brukka , Cleber Abrero e Zé Geral. O teatro também estiveram presentes nas intervenções de Yago Garcia e no “cotidiano” do Núcleo do Sarau. Confira um pouco do que rolou.

Localizado na rua Elvira Matos de Oliveira, 927, bairro Universitário o Sarau dos Amigos acontece toda última quinta feira do mês. E apenas com um quilo de alimento, que é doado aos Vicentinos da Paróquia santa Rita de Cassia, você pode divertir-se com arte e informação!


Conversamos com alguns artistas que passaram por lá!

Tom Barbosa

"Eu trabalho há algum tempo com a temática dos malabaristas de rua. Fui premiado no ano de 2010, com essa temática, no Salão de Arte de Campo Grande. Em 2009 fui premiado com pintura de papelão no Estado e no Brasil. Hoje estou com essa temática dos Saltimbancos Trapalhões. É uma lembrança de infância, eu sou fã deles! Então eu peguei, do filme dos Trapalhões “Os Saltimbancos”, todas essas fotos e reproduzo em pintura, coloco um pouco da minha imaginação

e adapto alguma coisa. Por que não é sempre que uma foto dá uma boa pintura. Então você precisa trabalhar um pouco em cima! Na verdade eu quero produzir 20 telas desse tema, por que terei uma mostra na Morada dos Baís, em Maio!"



Carlos Luz



"Esse projeto se chama memória fonográfica de Mato Grosso do Sul, nós catalogamos e digitalizamos todo o acervo de Mato Grosso do Sul. Das músicas gravadas em Mato Grosso do Sul desde 1950 até atual e isso envolve todos os músicos que por aqui passaram. A princípio era do Estado único, era Mato Grosso. Então o projeto iniciou com uma pesquisa geral nos dois “Mato Grosso” e começamos a afinar esse processo, encontrando uma riqueza muito grande da música vinculada à Mato Grosso do Sul! O projeto, hoje, está restrito aos músicos de Mato Grosso do Sul. A década é de 50 para cá, por quê a industria fonográfica de MS e do Brasil iniciou-se na década de 50. E quem gravou na década de 50: Délio e Delinha, Franquito, Bete e Betinha que o pai era maestro, eles já gravavam naquela época! Então são artistas sulmatogrossenses, alguns estão vivos, outros já se foram, mas o propósito do projeto é que todas as pessoas de Mato Grosso do Sul e do Brasil tenham acesso a essa cultura musical. A idéia é disponibilizar num site, em terminais de consultas, universidades onde a pessoa poderia ver e conhecer o artista, ouvir o artista. Não poderia baixar e nem copiar música, mas ele poderá ouvir o artista, conhecer as letras do artista e a parte literária vinculada à música."

O projeto é licenciado pela Lei Rouanet e precisa de patrocinio. Contato com o Carlos pelo email: carlosluz@bol.com.br! E pra saber um pouco mais sobre o projeto: overmundo

Mauro Yanaze

Meu trabalho é com cerâmica só que em alta temperatura! Queimo a base de 1.230 a 1.250 graus. A matéria prima é de São Paulo, não encontra aqui. Poderia usar a de Rio Verde ou de Coxim, mas são para baixa e eu trabalho com alta. A exposição que está no Marco é junto com um grupo de São Paulo de artistas plásticos que me convidaram para a exposição do Aluga-se. Que corre Brasil todo e fora também!



Elis Regina


"Esse projeto é uma pequena amostra, um esboço do que eu comecei a fazer. A minha idéia é voltar à aldeia e aprofundar um estudo. Da questão da imagem, sempre dialogando, com a questão da criança com a terra. A infância indígena. A gente tem um mundo totalmente industrializado com milhões de brinquedos, mas qualquer criança, se você der um pedaço de pau, uma garrafa, ele vai brincar. (Eu posso até estar falando besteira, preciso estudar um pouco isso), mas se não tem um aparato tecnológico, e mesmo que tenha, a criança é capaz de se divertir. Então eu acho que infância independe do contexto, da etnia, da raça. Crianças são crianças! Eu quero mostrar um pouco essa coisa lúdica, mas sempre trabalhando com essa coisa da luz, do contraste, da terra, essa relação. Por que é muito forte a relação que essas crianças, que o índio tem com a terra! E isso é de berço, as crianças passam a maior parte do tempo na terra, e isso é uma coisa muito bonita! E a terra vermelha, algumas pessoas me perguntaram por que não faz preto e branco? Por que se eu abstrair a cor eu vou abstrair essa riqueza que é a terra vermelha e que é essa relação que eu quero mostrar das crianças com a terra."

Ariadne Cantú

A escritora lançou o livro infantil O Planeta dos Carecas.

"O livro é uma história para trabalhar com a questão das diferenças, das crianças que tem câncer e perdem o cabelo, no curso do tratamento. E basicamente é a história de um planetinha imaginário onde tudo mundo é careca e quem é doente cresce cabelo por conta do remédio que toma. E o processo de criação do livro foi muito rápido. O surgimento da historinha em si, ele brotou depois que eu fiz uma visita para as crianças e achei que trabalhar da forma inversa, o conceito da diferença, iria tornar mais fácil todo esse processo.

E depois me aproximando mais eu soube que é um processo até comum, de gente que tem na família criança com câncer e raspa o cabelo. Soube da história de pai que raspa o cabelo para mostrar ao filho que está tudo normal, que o cabelo não é essencial, que o cabelo vai nascer de novo. E os desenhos foram feitos pela artista Andréia Duarte Oliveira que conseguiu transmitir dentro da história aquilo que eu concebi e ela disse que foi dificl colocar os personagens com expressão sem os cabelos. Dizem que os índios nos reconhecem pelos cabelos, para eles somos todos iguais a diferença fica por conta dos cabelos! E eu espero ter atingido o objetivo de, tratando de um tema tão difícil, trazer uma mensagem alto-astral, alegre. Que criança precisa de: começo, meio e fim e se não tiver final feliz não serve!"

A venda do livro será revertida para AACC.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ato Poético 3 dia!

Mais uma vez houve o Ato poético A um PAÇO da abertura! Por 1% garantindo em lei! E a abertura do Teatro do Paço em frente a prefeitura( fechado há 20 anos, e promessa de reabertura há dois anos).
Os artistas fizeram uma pequena passeata ao redor do teatro e finalizaram com a apresentação do grupo Desnudos Del Nombre!