quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Entrevista Fran Gomes!

Franciele Gomes, estudante de artes visuais na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS. Eclética, sempre foi apaixonada pelas artes, pintura, fotografia, escultura, etc. É organizadora das Vernissages que acontecem no Rockers bar, e em agosto nos cedeu esse entrevista sobre a primeira exposição que realizou!



De onde surgiu a ideia de uma exposição?

O pessoal do Rockers é nosso amigo, o Cláudio e o Manciba, já há algum tempo. Desde que surgiu o bar, conversávamos sobre música, pintura, escultura, tudo anda muito junto. E eles viviam me cobrando: por que você não faz uma exposição sua aqui pra mostrar as obras? Questionei: mas só minha? Não, vamos organizar direito. Então, quando a gente decidiu fazer, eu já tinha uma noção maior da coisa, agora que estou pra me formar. Aí, a gente se reuniu e tomamos a iniciativa de fazer uma coisa legal, galeria, e lá tem um espaço legal, é um barzinho pra todos os gostos. Convidei alguns amigos da faculdade, porque dentro da faculdade você conhece quem tem um trabalho legal. Chamei mais quatro estudantes. Ficou uma exposição muito bacana, com cinco estilos diferentes e bem próprios.

Quem são esses cinco artistas?

Sou eu, com sete obras. As minhas obras não tinha uma sequencia pois foram obras que desenvolvi durante o curso! Umas abstratas e algumas sem nome, bem coloridas e contemporâneas. O Ivan Luis com as hiper-realistas. As três pin-ups deles. O Joni Lima com cinco obras, influenciadas pela pop art, retratam Pink Floyd, Bob Marley, Jim Morrison. O Zé Henrique, com três obras, mais abstratas e expressionistas. Como o quadro do Marilin Manson e uma mais conceitual com o Marcelo Dourado segurando uma bandeira gay. E cinco obras da Lady's Paty que são bem coloridas e surrealistas! E o pessoal dizia que lembrava muito de Alice no País das Maravilhas. Ela apresentou um trabalho que foi bem apreciado: colorido a lápis de cor e composta por quatro quadrinhos. Então são cinco artistas, bem variados.



Quais as intenções da vernissage?

A intenção é levar a arte pra qualquer ambiente. Mostrar que a arte ela pode estar em qualquer lugar, pra qualquer classe social! Começar a divulgar essa cultura da arte para todo mundo e em todos os espaços. A gente tentou colocar um preço bem acessível, isso é importante. É bom pra gente que está começando, é bom pra quem ainda não sabe apreciar uma obra e a gente sabe que a situação não está boa para todo mundo. Conseguimos vender algumas obras, e depois elas voltaram para os artistas e para os dono, pois algumas já estavam vendidas. E também pode ser que vá para outros lugares. Além disso fomos notados, fomos vistos e de repente conseguiremos ir a outros espaços.

A arte ainda é um coisa elitizada, pra quem pode gastar com arte. Como isso foi visto?

Como a gente pensou nisso! Como é difícil por preço, e é uma coisa que dentro da academia a gente discuti muito: como por preço? E realmente o preço, o artista, é muito mais valorizada a obra quando ele vai para esse espaço institucional em que ele recebe esse reconhecimento. Então a gente colocou um preço acessível, porque a maioria não entende que obra tem um valor significativo! Nem todo mundo tem essa visão, essa cultura e poder aquisitivo pra comprar. Mas é uma coisa que a gente está aprendendo.

Vocês saem da faculdade agora e como foi essa saída da academia e entrada para um mercado? Já viu algum reflexo disso?

Para mim, como estou como organizadora, foi muito motivador. As pessoas apreciaram e elogiaram a iniciativa e isso é muito importante para o currículo. E acabei por começar muito tarde, e que isso fique como mensagem para quem está começando agora: de correr atrás disso sempre, e preencher o currículo com coisas que forem aproveitáveis, alguma coisa de conteúdo. Isso foi muito bom. Agora eu estou lá como curadora, organizando outras vernissages e levo para outras pessoas. Isso é importante também: chamar pessoas que estejam em contato com arte, para levar para outro lugares também. Mas foi bem difícil, é um trabalho de formiguinha.

A vernissage foi dentro de um bar. Como é isso de sair de instituições e ir a outros lugares?

Eu acho isso muito gratificante, engrandecedor. As vezes as pessoas tem vontade de ir a certos lugares mas por algum motivo nunca vão. Por que o circulo de amizades não vai, é muito caro, não tem tempo. Então com a obra de arte é a mesma coisa, as vezes as pessoas adoram observar um quadro, gostam de obras mas não sabem nem onde ir. Não vão ao Marco, a exposições, não vão a esses locais, então trazer isso pro Sys, pro Rockers, é dar oportunidade. O pessoal vai lá e olha: “Nossa que bacana, é assim que é. Então vamos lá no marco? Olha aquele artista que estava lá no Rockers vai expor no marco” isso é bacana. Então traz essa proximidade, é difícil? É difícil! Por quê? Por que a maioria não valoriza “ ah nossa mas esse quadro é muito caro”! Acha que é muito fácil e não é. Então tem tudo isso e tem pessoas que tem esse distanciamento, que acha que é caro! Mas as vezes, mesmo essas, estão se envolvendo com a questão da arte. E sempre se falou sobre levarem cultura para os espaços públicos. Então isso que a Erica fez no república, que tem no Sys, que a gente faz no Rockers é bem bacana. E os decoradores falam isso: que a gente tem que agradar todos os sentidos! Uma boa música para os ouvidos, uma bom quadro pra agradar a visão e o pensamento né? As vezes tem crítica, que nem esse meu quadro com o Mc Donalds é uma questão pra se pensar, isso que é interessante a arte que traz uma reflexão!

E qual foi a obra que mais te chamou a atenção?

Eu tenho uma teoria simples: tudo que os outro fazem eu acho que é melhor que o meu! Risos. Eu Acho muito interessante as obras do Ivan, é hiper-realismo que eu mesmo não faço, quer dizer já fiz na faculdade. Eu acho muito bonito. E é difícil falar, por que eu gostei muito de todos. Gosto muito do trabalho do Joni que faz com alguns músicos que marcaram mundialmente várias gerações. O trabalho da Paty também é bem marcante, com lápis de cor! E do Zé, que é um que eu acompanhei, durante a faculdade, o processo de trabalho. E quanto aos comentário: as do Joni foram bem comentadas pois é um lugar que eles gostam de rock. As do Zé criaram bastante polêmica, princialmente a do Marcelo Dourado e do Marilin Manson. A da Paty também, principalmente porque era lápis de cor e as minhas também por causa do conceito: a do Mc donalds e do passarinho que apesar de estar livre, ele está pintado com camisa de presidiário.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Anderson Lima Produtor Pantalhaços

O mês de férias brindou Campo Grande com uma explosão de eventos artisticos e um desses eventos foi a Pantalhaços - Mostra de Palhaços do Pantanal. Uma mostra de espatáculos de rua ou não, que trouxe para perto do público a figura do palhaço! Homenageando os atores Breno Moroni- palahaço, mimico, faquir, contorcioanista, engolidor de fogo - e Carmo Martins de Araujo, o Peninha - palhaço, trapezista e equilibrista. A Pantalhaços aconteceu nos dias 13 à 17 de julho em vários pontos da cidade e apresentou além de espetáculos, oficinas e palestras. Para saber mais sobre sua produção e o evento a Najon entrevistou um dos produtores, o Palhaço do grupo Flor e Espinho: Anderson Lima.




Quem é você e o que faz?

Anderson Carlos de Lima e faço um monte de coisa.

Como foi a produção do Pantalhaços?

A Pantalhaços é uma produção da gente, Flor e Espinho com o Circo do Mato, e quis que ela aumentasse um pouco mais. Já é a terceira edição, e as edições anteriores foram pequenas e com pouco público. A gente quis a saída da feira central, onde ela acontece e teve uma surpresa: as expectativas foram alcançadas e acima do esperado. Muita mídia, muita televisão, muito jornal impresso e muita participação do público. O público chegou como a grande surpresa, não esperávamos tanto público curtindo os palhaços.

O que é a Pantalhaços?

A gente tem a pesquisa dentro do Flor e Espinho do palhaço, já começado há algum tempo, e o Circo do Mato também tem a pesquisa deles. E o palhaço tem sofrido alguns preconceitos, algumas pessoas usam o termo pejorativamente, existe um certo preconceito da classe artística com a arte do palhaços, algumas pessoas acham que é uma arte menor. A própria sociedade acha que é coisa de criança, quer dizer é um mundo muito desconhecido, e a gente que é apaixonado por essa arte e tenta trabalhar da maneira mais séria possível, estudando, buscando conhecimento com os mestres. A gente quer que a coisa seja corrigida e espera que a mostra caminhe nessa via de mostrar a sociedade, e à própria classe artística que para ser palhaço precisa estudar muito!

O público estava em contato com vocês, como foi a recepção?

A arte de rua tem isso. A arte de rua tem esse desafio, a gente nunca sabe o que vem. Acho que por isso é tão gostoso e a gente gosta tanto de fazer rua. Apareceu um cachorro, um bêbado... A mostra, a gente quis descentralizar, fomos pra orla morena, pra feira central e no horto montamos o palco principal, mas as vezes o público passa um pouco do limite. Creio que é falta de educação mesmo, falta de acesso. A experiência que a gente tem com o Festcamp, que a gente faz com a ACP, tinha conhecimento do público de Campo Grande. Por exemplo, a gente não poderia cobrar e quando a gente faz a curadoria, sabe que espetáculo trazer. E um dos reflexo disso é a criança querer bater no palhaço, o próprio pai incentivar isso, então tivemos que falar para as crianças parar por que estavam atrapalhando o espetáculo. Em outro, como no Sob Controle, esperamos a oportunidade e jogamos água na criança, por que o espetáculo permitia, em outros não tem essa abertura.

Patrocínio, não cobrar entrada, como levantar um evento?

É muito cruel isso. Eu preferia chegar para o governo e dizer a ideia do projeto é essa, e precisamos da grana para fazer isso e não ter que lidar com prestação de conta por que isso é tercerizar. Se as pessoas não confiam nos artistas, então que faça a prestação de contas, ou melhor, que contrate o que a gente pede. Poderia chegar para a fundação de cultura, fazer toda a gestão e entregar nas mãos deles. Eles pagam e não teria tanta dor de cabeça mas não é assim. Tercerizam nosso trabalho, demoram para liberar o dinheiro, lei Roaunet não existe aqui para gente, é só nos grandes eixos Rio, São Paulo, Paraná e trabalhamos o ano inteiro para isso!


Como artista de rua e palhaço o que você espera do evento

Olha eu acho que Campo Grande precisa, e toda população precisa de ter acesso a cultura. A gente pode falar em vários campos do que a cultura promove nos seres humanos. Desde que se descobriu o fogo, uma pessoa tinha um dom, talento. e ia para frente do fogo e brincava com a sombra e ali tinha uma celebração cultural, artística ali! E todo ser humano necessita isso, além dos direitos básicos a saúde, ir e vir, o acesso a cultura e é o que menos se oferece. Qual o investimento real do governo do estado dentro dessa área? E a gente faz esses eventos para que a sociedade tenha acesso, possa cobrar mais o poder público e participar. A gente viu os secretários participando da mostra e esperamos que os gerentes do poder tenham os olhos mais voltados a essa área!

Qual o espetáculo que mais gostou?

O nosso é claro! Risos. Meu espetáculo é maravilhoso! Todo mundo tem que ver o Sob Controle. Bom, eu não vou falar por que é uma situação muito complicada. A gente tem um carinho muito grande pelo Circo do Mato, que são nossos parceiros. A gente gosta muito da estética deles, dá palpite nos trabalhos deles assim como eles nos nossos. Mas o que eu acho mais bacana que essa mostra trouxe e foi diferente das outras é a inserção de quem estuda. O Mauro(Circo do Mato) trouxe os alunos dele, de ver a “mulecada” já com um trabalho na mão, monociclo, tecido. Os meu alunos, resultados de oficina, o pessoal de Dourados que apresentaram aqui, de Nova Alvorada do Sul, já com trabalho também, crescendo, que trabalha junto. Isso que é o mais bacana, a mostra com esse caráter formativo. Trouxemos de fora o Breno Morani, que é uma figura muito importante nesse meio, na edição passada trouxemos o João Lima da Bahia. Então isso tem apresentado resultado. As pessoas tem se preocupado com a formação e, como o grupo Desnudos Del Nombre que participaram de várias oficinas e tem um espetáculo pronto. Isso é o mais bacana da mostra, além do Sob Controle é claro!

segunda-feira, 28 de março de 2011

38° Sarau dos Amigos

O apresentador Cleber Dias conduziu o 38° Sarau dos Amigos que apresentou a música do grupo Guavira Elétrica e dos cantores Rodrigo Nantes e Gabriel , Leandro Ávila, Brukka , Cleber Abrero e Zé Geral. O teatro também estiveram presentes nas intervenções de Yago Garcia e no “cotidiano” do Núcleo do Sarau. Confira um pouco do que rolou.

Localizado na rua Elvira Matos de Oliveira, 927, bairro Universitário o Sarau dos Amigos acontece toda última quinta feira do mês. E apenas com um quilo de alimento, que é doado aos Vicentinos da Paróquia santa Rita de Cassia, você pode divertir-se com arte e informação!


Conversamos com alguns artistas que passaram por lá!

Tom Barbosa

"Eu trabalho há algum tempo com a temática dos malabaristas de rua. Fui premiado no ano de 2010, com essa temática, no Salão de Arte de Campo Grande. Em 2009 fui premiado com pintura de papelão no Estado e no Brasil. Hoje estou com essa temática dos Saltimbancos Trapalhões. É uma lembrança de infância, eu sou fã deles! Então eu peguei, do filme dos Trapalhões “Os Saltimbancos”, todas essas fotos e reproduzo em pintura, coloco um pouco da minha imaginação

e adapto alguma coisa. Por que não é sempre que uma foto dá uma boa pintura. Então você precisa trabalhar um pouco em cima! Na verdade eu quero produzir 20 telas desse tema, por que terei uma mostra na Morada dos Baís, em Maio!"



Carlos Luz



"Esse projeto se chama memória fonográfica de Mato Grosso do Sul, nós catalogamos e digitalizamos todo o acervo de Mato Grosso do Sul. Das músicas gravadas em Mato Grosso do Sul desde 1950 até atual e isso envolve todos os músicos que por aqui passaram. A princípio era do Estado único, era Mato Grosso. Então o projeto iniciou com uma pesquisa geral nos dois “Mato Grosso” e começamos a afinar esse processo, encontrando uma riqueza muito grande da música vinculada à Mato Grosso do Sul! O projeto, hoje, está restrito aos músicos de Mato Grosso do Sul. A década é de 50 para cá, por quê a industria fonográfica de MS e do Brasil iniciou-se na década de 50. E quem gravou na década de 50: Délio e Delinha, Franquito, Bete e Betinha que o pai era maestro, eles já gravavam naquela época! Então são artistas sulmatogrossenses, alguns estão vivos, outros já se foram, mas o propósito do projeto é que todas as pessoas de Mato Grosso do Sul e do Brasil tenham acesso a essa cultura musical. A idéia é disponibilizar num site, em terminais de consultas, universidades onde a pessoa poderia ver e conhecer o artista, ouvir o artista. Não poderia baixar e nem copiar música, mas ele poderá ouvir o artista, conhecer as letras do artista e a parte literária vinculada à música."

O projeto é licenciado pela Lei Rouanet e precisa de patrocinio. Contato com o Carlos pelo email: carlosluz@bol.com.br! E pra saber um pouco mais sobre o projeto: overmundo

Mauro Yanaze

Meu trabalho é com cerâmica só que em alta temperatura! Queimo a base de 1.230 a 1.250 graus. A matéria prima é de São Paulo, não encontra aqui. Poderia usar a de Rio Verde ou de Coxim, mas são para baixa e eu trabalho com alta. A exposição que está no Marco é junto com um grupo de São Paulo de artistas plásticos que me convidaram para a exposição do Aluga-se. Que corre Brasil todo e fora também!



Elis Regina


"Esse projeto é uma pequena amostra, um esboço do que eu comecei a fazer. A minha idéia é voltar à aldeia e aprofundar um estudo. Da questão da imagem, sempre dialogando, com a questão da criança com a terra. A infância indígena. A gente tem um mundo totalmente industrializado com milhões de brinquedos, mas qualquer criança, se você der um pedaço de pau, uma garrafa, ele vai brincar. (Eu posso até estar falando besteira, preciso estudar um pouco isso), mas se não tem um aparato tecnológico, e mesmo que tenha, a criança é capaz de se divertir. Então eu acho que infância independe do contexto, da etnia, da raça. Crianças são crianças! Eu quero mostrar um pouco essa coisa lúdica, mas sempre trabalhando com essa coisa da luz, do contraste, da terra, essa relação. Por que é muito forte a relação que essas crianças, que o índio tem com a terra! E isso é de berço, as crianças passam a maior parte do tempo na terra, e isso é uma coisa muito bonita! E a terra vermelha, algumas pessoas me perguntaram por que não faz preto e branco? Por que se eu abstrair a cor eu vou abstrair essa riqueza que é a terra vermelha e que é essa relação que eu quero mostrar das crianças com a terra."

Ariadne Cantú

A escritora lançou o livro infantil O Planeta dos Carecas.

"O livro é uma história para trabalhar com a questão das diferenças, das crianças que tem câncer e perdem o cabelo, no curso do tratamento. E basicamente é a história de um planetinha imaginário onde tudo mundo é careca e quem é doente cresce cabelo por conta do remédio que toma. E o processo de criação do livro foi muito rápido. O surgimento da historinha em si, ele brotou depois que eu fiz uma visita para as crianças e achei que trabalhar da forma inversa, o conceito da diferença, iria tornar mais fácil todo esse processo.

E depois me aproximando mais eu soube que é um processo até comum, de gente que tem na família criança com câncer e raspa o cabelo. Soube da história de pai que raspa o cabelo para mostrar ao filho que está tudo normal, que o cabelo não é essencial, que o cabelo vai nascer de novo. E os desenhos foram feitos pela artista Andréia Duarte Oliveira que conseguiu transmitir dentro da história aquilo que eu concebi e ela disse que foi dificl colocar os personagens com expressão sem os cabelos. Dizem que os índios nos reconhecem pelos cabelos, para eles somos todos iguais a diferença fica por conta dos cabelos! E eu espero ter atingido o objetivo de, tratando de um tema tão difícil, trazer uma mensagem alto-astral, alegre. Que criança precisa de: começo, meio e fim e se não tiver final feliz não serve!"

A venda do livro será revertida para AACC.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ato Poético 3 dia!

Mais uma vez houve o Ato poético A um PAÇO da abertura! Por 1% garantindo em lei! E a abertura do Teatro do Paço em frente a prefeitura( fechado há 20 anos, e promessa de reabertura há dois anos).
Os artistas fizeram uma pequena passeata ao redor do teatro e finalizaram com a apresentação do grupo Desnudos Del Nombre!










quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lançamento do livro "E se a vida te desse um limão?"

Na noite de quarta-feira, dia 23 de fevereiro, aconteceu na livraria Le Parole, o lançamento do livro "E se a vida te desse um limão?". A autora Maria Clara contou um pouco do livro em uma noite de descontração e autográfos!


"No livro eu falo sobre as adversidades da vida! Como que a gente pode trasnformar o azedo em doce.
Todos os dias as pessoas levam limões na testa! O que são os limões? Os problemas, as dificuldades e nós temos uma tendência a nos apavorar com as adversidades. Então nesse livro, é uma dica, como transformar tudo que está azedo na sua vida em uma saborosa limonada"

E como arte pede por arte a noite contou com a performance dos atores Isaac Zampieri e Pedro Mayer!



domingo, 20 de fevereiro de 2011

7 Perguntas para Priscilla!

O marco exibe, até o dia 27 de fevereiro de 2011, a obra “Nus”. Da artista plástica Priscilla Pessoa. Professora de História da Arte na UFMS, ela expos os segredos de várias pessoas pelas paredes do museu! Em seu ateliê ela concedeu uma pequena entrevista sobre sua obra.




Foram dois anos de pesquisa da obra, como foi isso?

Na verdade não foram dois anos de pesquisa, foram dois anos juntando material para fazer a obra. Por que ela não é uma pesquisa, na verdade ela é uma obra aberta. Em dois sentindos: primeiro por que eu tenho pouquíssimo controle sobre ela! Eu passei dois anos juntando segredos numa caixa lacrada. E ela é aberta também por que depois de exposta ainda deixa várias brancos no banheiro para que as pessoas escrevam. Então eu acho que funciono muito menos como pesquisadora e mais como coletora, né? A parte da minha criação, acho que foi a idéia do projeto. O desenvolvimento dele, fora a parte de montar, de como vai ser mas o conteúdo dele em si acaba dependendo do participante!

“A arte para ser vivida”, como aparece isso e de que forma aconteceu essa interação?

Para não fica uma coisa muita invasiva, por que o que eu pedi era uma proposta muito intima. Eu pedia para a pessoa contar uma coisa que ela não contaria pra ninguém, então eu nunca falei com ninguém diretamente sobre isso. Eu preparei um monte de cartõezinhos, onde eu escrevia o que, qual era a proposta, onde iria ser exposto, que era uma coisa séria e anexava o papel onde a pessoa poderia escrever e colocar em uma urna. Então eu tentei fazer da forma mais impessoal e profissional possível. E aí eu levei em vários lugares, eu não se você chegou a ver, nas palestras do Arte Agora, em festa, reunião de família, outras faculdades, onde eu pude levar eu levei. Só que muita pouco gente topa participar! Eu mesma não sei se toparia(risos), se alguém me pedisse! Então por isso que levou tanto tempo, para juntar. Deu menos de 200 segredos. Agora deu mais por causa do banheiro! Mas foi assim, eu tentei aparecer o menos possível!

Arte e sagrado. Confissão. O ato de se confessar algum segredo, na religião é para conseguir o perdão divino. Você faz alguma relação do ato de confissão com a obra?

O ato de confissão? A principio não! Eu acho assim, é um trabalho muito complexo e tem mais coisas que eu poderia explorar né? Por exemplo essa própria coisa da confissão, da culpa mas eu não fui tanto por esse viés. O que eu pense mais foi na idéia do Nu! Até por isso colocar a obra dentro do museu! Por exemplo tem um projeto semelhante a esse meu na internet que ele funciona como confissões. Ele chama “confessions”, não lembro bem, e um site você escreve anonimamente. E esses dias foi no noticia, eu vi no Jornal Nacional, um aplicativo para Iphone que você se confessava, quem criou foi um padre filiado ao Vaticano! Mas a proposta é menos essa, né? O que eu acho interessante é estar colocado no museu, como obra de arte e se chamando “Nus”. Então falando um pouco sobre o que é realmente estar nu hoje, o que mais é exposto. Qual a exposição maior: a da nudez ou de algum segredo? Então a gente tem a sensação de que vive em uma época que todo mundo pode saber, você publica as coisas, você vê a vida dos outros, você fala com alguém em qualquer lugar do mundo, mas eu acredito que a essência da gente, das coisas secretas, a gente mantém! Eu acredito que não tem nenhuma pessoa que não possua uma coisinha que não contaria para ninguém! Eu sinceramente preferia apanhar que qualquer coisa à dizer publicamente algum segredo grande meu! Talvez nem fosse grande coisa. Então eu acho que o que eu procurei focar mais mesmo que a questão da culpa, da confissão que também seria interessante é a nudez! E como ao mesmo tempo a gente pode olhar aqueles segredos... então eu acho que todo mundo se identifica com alguma coisa, de perto todo mundo tem algo para esconder!


Por que essa disposição da obra? Além da parede do museu, também está dentro do banheiro?

É por que esse projeto, eu pretendo que ele seja uma coisa continua, mas eu não quero mais sair juntando segredos! Eu precisava daqueles primeiros que eu montei pra montar a primeira parede. Toda vez que eu for expor eu vou ocupar, além da parede, o banheiro! Para que no banheiro as pessoas possam continuar escrevendo, para eu juntar mais segredo e fazer uma grande coleção! Pra quê, eu não sei! E o banheiro é o único lugar do museu que realmente você tem intimidade e assim para remeter a própria idéia do banheiro. Por mais que você more com quinhentas pessoas ou que você freqüente uma faculdade com milhares de alunos, tem um momento que você está dentro do banheiro, que é único, que ninguém está te vendo! Nem câmera de segurança você pode colocar no banheiro! Então tem isso também e é justamente no banheiro que se escrevem as maiores barbaridades então eu só estou pedindo para escrever na minha moldura!

Há vários tipo de segredos desde amores platônicos, sonhos à adultérios e obscenidades. Como você recebeu isso e a decisão de exibi-los?

Eu tinha me proposto a exibir todos! Eu acho que o museu é um espaço para adultos, tudo bem as crianças podem freqüentar, mas a principio ele é para adultos e outra coisa também é uma obra de arte. Seria muito estranho a própria artista fazer uma censura! E eu esperava mesmo que ia ser esse tipo coisa por que o segredo e ninguém vai ser uma receita de bolo! São justamente essas coisas então era bem o que eu esperava. O meu medo era justamente o contrário, que de repente fossem coisas tão amenas, que as pessoas não tivessem coragem de dizer e aí não faria sentido a obra!

Você é professora de faculdade. Isso tem alguma influência na obra, como isso aparece?

Olha, tem muita influência sim. Por quê eu dou aula de História da Arte(ufms)! E para você dar aula você acaba estudando muito mais do que ensinando. Então esse contato que eu tenho diário com a história da Arte, acaba me influenciando muito no sentindo de ser muito difícil para mim cria alguma coisa que não tenha algo de dialogo com essa tradição. Então a própria idéia do nu, de colocar isso em um museu e fazer uma comparação entre o nu, que é um tema milenar na história da Arte. Tem toda questão de entender melhor do que uma instalação, entender o que é uma obra aberta, tudo isso eu devo ao contato com o ensino. Isso por outro lado influência quando eu vou dar aula também! Por que quando você tem uma atividade ligada a Arte de certa forma você acaba se atualizando, você vai atrás de coisas que você pode levar para a sala de aula. Eu pretendo não produzir todo ano, como eu produzia antes, que não dá mais tempo, mas sempre produzir, visitar museus, visitar bienais que é uma forma de nunca ficar tão velha quanto as coisas que você ensina!(risos)

Você colocou alguma confissão? E alguém não colocou?

Eu coloquei! Coloquei duas minhas lá. E muita gente que eu pedia para participar devolvia! Eu pedi, inclusive, no próprio papelzinho para nem devolver para mim! Devolve ali para quem te deu ou onde estava. Deixava bem claro que não era obrigatório nem nada. E principalmente quando eu pedia para os alunos, para ninguém achar que era vinculado à nota. Eu sempre pedi como artista, esse é um trabalho que não tem nada a ver comigo, como professora. Mas eu acho natural que as pessoas não queiram participar, por que colocado ali todo mundo junto vira uma obra de Arte, mas é a intimidade de cada pessoa! É uma coisa assim que deve pesar, não deve ser fácil carregar. Normal!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

7 Perguntas para Essi!

Campo Grande exibiu sábado dia 05 de fevereiro o curta-metragem “Ela veio me ver”. A história de dois adolescentes em seu primeiro encontro. Filmado e produzido em Campo Grande, estreado na Mostra de Cinema de Tiradentes(janeiro 2011), selecionado para o Chicago Latino Film Festival e, esta semana, em turnê nacional no 3° Festival do Júri Popular! Fomos atrás do Essi Rafael, idealizador do curta, para um bate-papo rápido!





Por que o uso do cinema?

Eu acho que o cinema te transporta, é um lugar que eu me sinto bem. Desde criança, você entra no cinema e sente emoções que às vezes na vida, sua vida cotidiana, você não sente. Eu acho que o cinema é uma expressão muito forte, é a vida concentrada. O cineasta e toda a equipe trabalham para nessas duas horas condensar elementos muito importantes da vida. E eu acho que no cinema tem um sentimento forte! Eu não esqueço, de quando criança, você vai, você fica impressionado e quer voltar toda vez, tem uma envolvimento emocional muito grande que você não encontra na vida cotidiana.

Como foi o processo de produção do Curta “Ela veio me ver”?

Quando a gente passa pro lado de trás da produção é tudo mais trabalhoso, né? Não tem nenhum segredo. É relativamente simples, mas é trabalhoso você tem que correr atrás de uma série de coisas. Começando pelo, no caso, dinheiro se você quer trabalhar com uma equipe maior, com uma estrutura maior. Conseguir dinheiro não é fácil e quando você consegue às vezes é pouco, todo mundo ganha mal e tem toda a questão: que você lida com gente, com uma equipe grande. Você tem que aprender a lidar com as pessoas. E até como crescimento individual! To no começo de carreira, eu tenho muita coisa para aprender como todo mundo aqui. Tenho muito a aprender. Então é um processo bem complicado, cinema por ser uma arte coletiva assim que junta várias artes, que você trabalha com som, com imagem, com música, com atuação, teatro, é muita coisa. Então tem uma dificuldade muito grande de juntar tudo isso e fazer uma obra bacana que tenha algum sentimento disso tudo mas.. é isso aí se você gosta você tem que correr atrás. Foi difícil, dois anos de produção, mas é isso aí o tempo médio de produção, no Brasil, é por aí mesmo!

Com a exibição do cinemark, em Campo Grande como você vê a relação do cinema e exibição aqui. O que você acha de toda a situação do cinema agora aqui, especificamente, e no Brasil?

É complicado! A situação do cinema não está numa época legal. Aqui em Campo Grande, especificamente, o Cinecultura fechou, e já não era muito bem freqüentado. Também já diz muito da situação, mas a verdade grande parte do cinema brasileiro as pessoas desconhecem. O que é uma pena! Eu fiquei muito feliz com a exibição no Cinemark, por que teve um comparecimento grande, mas é um público bem especifico! Realmente é um público bem especifico, voltado e com interesse bem particular de cultura. Não é aberto pro grande público, vamos dizer assim. Isso ainda está bastante deficiente. O nosso nicho, assim, onde a gente pode por o filme, é esse local, mais especifico mesmo: festivais de cinema, freqüentados por pessoal da área. Eu não sei, acho que ainda tem que melhorar muito! Se você for ver o que tá em cartaz não tem muita opção nacional, e tem filmes muito bons brasileiros. Também não é fácil se você olhar ao redor do mundo, na verdade a questão é complexa em todo lugar! Se for nos Estados Unidos também é assim, se for na Europa. Então não adianta ficar penalizando-se, enquanto realizador você tem que tentar fazer uma obra que te satisfaça, que você tenha orgulho, e que você tente passar o que você pode passar, se você puder avançar em alguma coisa, ótimo! Mas a gente tem que jogar com o que você pode fazer. Se dá pra passar aqui no Cinemark, vamos passar, se dá pra passar nas escolas, vamos passar nas escolas. Faz o possível, mas não é exatamente uma situação boa!

Aqui em campo grande, tenho visto surgir bastante cineclubes, você pretende passar em cineclubes? E como fazer essa distribuição, não só desse, mas dos próximos curtas?

Os cineclubes. É uma alternativa super viável, acho que é uma das grandes opções que a gente tem de trabalhar. Com certeza, vamos passar em cineclube também e a gente tem o Fora do Eixo que é uma organização que está surgindo agora, que tem toda uma rede de cineclubes, que eu acho que está crescendo bem. DF5. É exatamente. E poxa é um caminho super viável que você bota o filme em circulação por vários cineclubes pelo Brasil. Enfim eu acho super bacana participar de cineclube.

O filme trata de um relação adolescente mas não é só para adolescente, qual seu olhar sobre o filme?

É sobre adolescente! É realmente, você está me confundindo. Eu quis fazer assim a gente tem uma certa ingenuidade na adolescência, mas essa ingenuidade traz uma certa dor também né? É um jogo que a gente está descobrindo certas coisas e também começa a descobrir a dor, a gente fica machucado. Com certos sentimentos. Parecem tão puros e ingênuos. Para mim, era muito importante retratar de uma forma, sei lá, que dê pra sentir uma alma ali, uma veracidade, essa situação do adolescente. Assim, você quando tem um sentimento, você gosta de alguém, você não sabe, exatamente, o que fazer com ele, o que transformar, o que fazer desses sentimentos. Por que você vê as referências de televisão, tudo parece que é super simples né? E tudo ao redor! E aí chega na hora, você não entende mas por que é tão difícil?! Eu não sei. Eu acho que seria um pouquinho de angustia junto com essa ingenuidade. A ingenuidade trazendo também um pouquinho de dor. Isso ae. Do ponto de vista da historia.

Por que filmar em campo grande?

Ah, por que Campo Grande é minha segunda cidade, eu sou de Aquidauana, mas Campo Grande sempre foi a cidade que ia fim de semana, sempre era. Eu acho assim filmar em casa tem um sabor especial. Você pode, acho que essa historia pode tranquilamente passar em qualquer cidade, assim, não vai alterar os rumos da estória. Fazer cinema em casa tem um gosto bastante especial dá um orgulho. Poxa! É onde você se sente mais confortável, né? São ruas que eu realmente passei na minha vida, são coisas, locais que eu conheço eu vivi. Para mim como realizador dá um gostinho a mais, mas faz diferença!

E algumas palavras pra quem está começando e pra quem gosta.

Primeira coisa que você tem que ter é perseverança. Não! O primeiro de tudo: você tem de gostar, né? Gostando muito você tem que ser muito paciente, viu? Às vezes não dá certo de cara. Até você entender mais ou menos como é que funciona o mundo de uma forma razoável, que você pode ter uma autonomia. O que fazer. Por que a primeira coisa é saber o que fazer. Não é tão fácil quanto parece! A gente diz “ah vou fazer filme”, mas não é exatamente bem assim, né? Então a agente vai se estruturando aos poucos, a recomendação maior é ter perseverança, ter senso crítico e procurar melhorar sempre. E você vai vendo os meios de exibição, que seja Youtube, o que for mais condizente com o seu estado atual e o que você pode fazer no momento. Se você tem uma camerazinha: filmar e botar na internet,faça isso! Se você tem uma condição de fazer uma coisa um pouquinho maior: faz um pouquinho maior. Mas é isso ai! Sempre com vontade, perseverança, acho que é a única coisa que dá pra falar!